Domingo, 5 de Julho de 2009

Sessão Especial - Excalibur

Chega hoje a vocês a segunda edição do sessão especial. Para quem perdeu o da semana passada, a idéia é falar sobre os diversos filmes já lançados sobre a lenda arturiana, com o olhar particular que tenho para as coisas e a base de conhecimento que trago da lenda.


A edição de hoje tem a sorte de trazer a vocês o filme "Excalibur", de 1981. É claramente o melhor filme sobre a lenda arturiana que caiu nas minhas mãos. Este filme teve como base os textos do Malory, e consegue contar a história de cabo a rabo. Desde os começos onde Uther faz Arthur em Igraine, até a barca de Avalon levando Arthur para o além. Todos os pontos cruciais da história foram retratados. O nascimento de Arthur, a espada na pedra, a coroação, o encontro com Guinevere, casamento, Lancelot, Morgana, a ruina, o graal, e até Perceval.

A fita (ô palavra véia...) mostra a direção impecável do John Boorman ao longo de 140 épicos minutos, e uma lista de atores de nome bem conhecido; é até engraçado descobrir o Gabriel Byrne no papel do Uther, Liam Neeson como Gawain, e Patrick Steewart como Leodengrance. Mas a coincidência mais engraçada é Guinevere. Nossa querida, safadinha Guinevere. Ela foi interpretada por Cherie Lunghi, quem uns bons anos mais tarde interpretaria Stephanie, a cafetina do seriado "Diario de uma garota de programa". Toma essa.

Vamos às pérolas do filme:

Uther, o cabra macho. Ou o macho alfa, como diria uma amiga. É a testosterona de armadura medieval. Como ele mesmo disse logo no começo do filme, "TALK?!? TALK IS FOR LOVERS!!!"
Um bom exemplo da sua personalidade surge na mesma noite onde por fim conseguiu o tratado de paz com Gorlois, o próprio Gorlois organiza um festim, e pede para sua mulher dançar para os convidados. Foi questão da jovial Igraine dar duas voltinhas com a saia que o Uther começou a gritar "EU DEVO POSSUIR ESSA MULHER!! EU DEVO!!!". Gesto inadequado de um comensal na casa do anfitrião, se referindo a sua cónjuge.
Mas no fim das contas, ele é um personagem quase que teleguiado pelo Merlin, para propósitos digamos, mais nobres.

Falando em Merlin, ele dá a nota, e é o destaque em todas as cenas onde aparece, apenas encontrando páreo nos seus encontros arrebatadores com Morgana. Mas Morgana sempre roubou a cena... O Merlin nesta versão veste um capacete prata, que lembra desenhos animados de super heróis dos anos 60. Mais precisamente os vilões. Mas o destaque do Merlin não é o visual, são as falas. Algumas delas tem entonação de vendedor de pamonha, mas é legal ver a cara de confusão das pessoas en volta do mago enquanto ele fala. Como se ninguém entendesse do que ele está falando em absoluto...

Dá para entender o trauma da Morgana. Além de ter poderes de ver o futuro e outras cositas más, teve um momento nada fofo na sua infância ao assistir de camarote o Uther traçando sua mãe Igraine. De armadura. Com a idade, ela somente ficou mais e mais ardilosa.

O encontro da Gui com Arthur é bem bacana, bem construido, convincente. Assim como o encontro do Arthur com Lancelot, e o de Lance com a Gui. Tudo plausível, humanizado.

O sentimento confuso da Guinevere en relação ao Lancelot aparece no rosto de ambos. A indecisão do Lancelot, a perda de chão dele é visível, evidente. Ele nem quer freqüentar Camelot, para evitar encontros que possam abalá-lo.

Mas quando esse encontro entre eles finalmente ocorre, é nesse instante que o mundo acaba. Acaba mesmo. Merlin se rende aos poderes de Morgana, e fica preso pela eternidade. Arthur pega Lancelot e Guinevere no flagra, peladões na grama, dormindo de conchinha. Morgana, com os poderes roubados do Merlin, se faz passar por Guinevere e engravida de Arthur, e se revela ao Arthur chamando-o de "irmão" ao pé do ouvido. Tudo na mesma noite.

Dá para entender a ressaca com que Arthur acordou no dia seguinte, e ao ver seu mundo caindo, ele entendeu isso como castigo divino e pediu aos seus cavaleiros que partam em busca do Graal. Com isso, o filme emenda a história do Perceval, e mostra gradativamente o fim da távola redonda.

Já no fim, temos o último encontro entre Arthur e Guinevere (ela já no convento), e a batalha final dele com Mordred, onde ambos são feridos mortalmente. Para coroar o filme, Excalibur é devolvida à Senhora do Lago, e Arthur parte para Avalon na barca com as sacerdotisas.

Épico, como deve ser. Alguma crítica ao filme? Acho que a parte da busca do Graal ficou descuidada. Não faz muito sentido vendo apenas o filme, e pode ficar maçante ao pensar em um filme de 140 minutos. De resto, é uma peça e tanto!

Até a semana que vem!

Sábado, 27 de Junho de 2009

Sessão Especial - Camelot

Começa hoje uma série de posts sobre os filmes inspirados na lenda arturiana. Tive esta idéia há alguns tempos, mas ela voltou no dia em que por um acaso uma cópia do filme "Camelot" caiu no meu carrinho de compras. Na verdade, na minha mão mesmo, não tinha carrinho.



Camelot é um filme épico, uma tradução para o cinema da peça de teatro homônima; ambas obras baseadas na série de livros do T.H. White, "O Único e Verdadeiro Rei". A fita, produzida em 1967, levou 3 Oscars e mais um bocado de prêmios e nomeações. Mas vocês não vieram até aqui para me ouvir falando rosas e maravilhas... sim, eu sei que vocês querem meus comentários azedos. Eu conheço vocês. Sei onde vocês moram.

O filme vale a pena, e a paciência dedicada em apreciar 3 horas desopilantes. Sim, 3 horas de filme, com direito a plaquinhas de intervalo e tudo... Isso é que é uma tradução literal da peça de teatro. Mas essa é apenas a primeira, e a menor das surpresas da fita. Estamos falando de uma obra que se esforça por ser séria, e falha miseravelmente, e assistimos esse fracasso com choro de riso e felicidade. Faz tempo que não rio com tanta vontade de um filme. Talvez alguém lembre (tá certo.. ninguém vai lembrar mesmo) o que disse sobre o o livro do White: o texto é particularmente básico, infantil. Agora, fazer uma peça de teatro e ainda um filme com essa materia prima não podia dar em outra coisa. É um primor de assistir...

1) Arthur. O Wart. O único e verdadeiro rei.. bobo. Não é bem a palavra que estou buscando; é uma mistura de insegurança, infantilidade e falta de capacidade. Impericia. Um coitado.
Este Arthur se vê em situações esquisitas, onde nos vemos forçados a acompanhar o raciocinio (por chamar de alguma maneira) para resolver as questões. Exemplo:

Tenho que pensar, mas não consigo pensar em nada. Mas não pensar em nada já é um pensamento, portanto estou pensando, certo?

2) Jenny. Nossa Guinevere, na visão mais assanhada que os anos 60 permitiam. Ou seja, a devassa perfeita. Ela entra em cena pedindo para ser levada por um cavaleiro cretino, ou qualquer outro homem. Basta ser homem. Não tem critério. Não pensa com a cabeça. O resto vocês sabem.

3) Lance. O herói brilhante, cheio de sotaque. O francês, grande cavaleiro da Joiosa Guarda, interpretado por um Franco Nero desesperado por parecer um ator que não foi chamado pela aparência. E nós fazemos de conta que acreditamos, ao vê-lo chorar tão sofrido, tadinho.

4) O universo de purpurina. O mundo era gay nos sessentas, e não fazia a menor questão de afirmar o contrário. A cena do Arthur e o Lance colhendo flores na festa da primavera é comovedora (não, não é). E enquanto isso, a Jenny, rodeada de casais e doida para aprontar. Nessas horas que penso, como o mundo está perdido. Mas vejo que não é de hoje.

5) Os baluartes de sabedoria nas palavras do Arthur. São autênticas pérolas que nos acompanharão pelo resto das nossas vidas. Vai mais uma:

Não tente entender como uma mulher pensa. Elas não costumam fazer isso com freqüência.

O Arthur já era meu herói, mas depois dessa...

6) Props. Os figurinos, armaduras e outros acessórios são excelentes, e fotografam muito bem em cena. É uma pena perder a ilusão da magia do cinema quando vemos o Arthur segurando Excalibur pelo gume, e esfregando o rosto nela enquanto pensa, se reconfortando... Em qualquer outro filme, teria se degolado.

7) O que vocês fariam e estivessem a instantes de morrerem queimados na fogueira? Bom, a Gui parece não se importar com isso. Não se importou no pátio pegando fogo. Não se importou na entrada do Lance. Não se incomodou com a morte da metade dos cavaleiros da távola redonda. Não se importou em ser salva. Parecia uma boneca de pano. Inexpressiva. Flexível, porém inexpressiva. Ao menos nessa cena, deixou muito a desejar.

8) Pode ser um problema meu, mas não tive como entender a passagem do tempo. Embora os fatos são relatados em ordem cronologica, é o tempo ocorrido entre um fato e outro é que não faz sentido. Os personagens falam de uma assunto, e na fala seguinte se passaram anos. Uma vinhetinha não faz mal a ninguém..

9) O final. Ou a falta dele. Nada se resolve no final. Ao ponto que quando acreditamos que vai ter uma sacada inteligente (quem será esse jovem? Perceval? Galahad?), uma criança filho de ninguém sai correndo e pronto. Assim termina. Com um tal de Tom de Warwick vazando.

10) Chega. Precisam ver. Eu vejo de novo, quem topar pode ver aqui em casa!

Semana que vem: mais cinema!

Até a semana que vem!

Sábado, 20 de Junho de 2009

Dossiê Quentão

Coitado do Kay. Tudo bem ele ser grosso, mas não ganhar nenhum comentário em uma semana foi aversão demais com a figura dele... Vamos ao assunto desta semana, parte do folklore local. E quem não sabe o que é folklore, pode perguntar, ok?

Heresia?

Estava eu cozinhando em casa (sim, eu cozinho, não frito ovo), e comentei um lance sobre as festividades desta época. As festas juninas foram introduzidas no Brasil pelos jesuitas, comemoradas em Junho e Julho, trazidas diretamente de Portugal como uma festa dos santos (particularmente, São João, quem dá o nome as festas juninas). Só que tem um pequeno detalhe, estas festas tem um lado arturiano...


Claro, ninguém bota fé em ver o Lancelot fantasiado de caipira e de bigodinho pintado (embora eu pagava). O fato é que as tradicionais festas juninas foram mais uma adaptação para contentar a horda de pagãos, autorizando as festas da primavera na antiga Europa. Já explico direito.

Sabem o lance do culto umbanda, ou mais precisamente o candomblé? Os escravos fizeram uma analogia entre os santos cristãos e os orixás dos cultos africanos, desta forma eles conseguiam praticar seus cultos e honrar seus orixás sem tomar toco dos donos das fazendas. Ou seja, quando eles faziam culto para Santo Antônio (na Bahia) ou São Jorge no Rio, na verdade eles estavam cultuando Ogum. Assim tem outras analogias, mas não vem ao caso. Vamos voltar ao post de hoje.

Na antiguidade européia, o culto aos deuses "pagãos" incluia a festa da primavera, ou festa da coleita, basicamente uma celebração para agradecer aos deuses e a Mãe Terra (aka. Natureza) pela benção da vida, pelo renascimento dos frutos. A Natureza é vista como uma divindade, que como uma mãe alimenta seus filhos com seus frutos. É uma celebração da vida, e como tal muitos camponeses procuravam "acasalar" (er.. sim, isso mesmo) nestas festividades, para que seus filhos nascecem com a benção da Deusa.

No momento em que o cristianismo começou a perseguir os "falsos cultos", e converter as pessoas para a verdadeira fé, o druidismo caiu em desuso, salvo em coletividades isoladas, afastadas do contato com as grandes cidades. Claro que os curas tiveram problemas enormes para convencer as pessoas que não podiam cultuar mais de uma religião (coisa bastante comum no Brasil, aliás), e com isso o povo manteve, muitas vezes escondido, as festas de Juno, da Deusa, do mês de Junho, da primavera. As festas juninas.

Naquela de "si no puedes vencer, únete a ellos", os curas converteram aos poucos a festa junina em uma festa para São João, e de geração em geração a idéia foi se arraigando. E uns quantos séculos depois, nos encontramos fazendo quentão, soltando balões e dançando quadrilha.

Vai uma dica de leitura: para quem quiser explorar mais a fundo as festas da Deusa, leia com carinho (e paciência...) As Brumas de Avalon. É o ponto de pivô de quase todos os acontecimentos do livro.

Até a semana que vem!

Sábado, 13 de Junho de 2009

Sir Kay, O Grosso

Estava eu lendo algumas bobagens na internet, como distração matinal enquanto não achava assunto para o blog. Nisso o stumble ajuda bastante, tanto em se distrair como em buscar assunto. Eis que lembrei do Sir Kay, provavelmente o cavaleiro mais desagradável e grosso de todos os tempos, odiado por todos seus companheiros e apenas tolerado por Arthur e companhia. É, nem todo mundo é bonzinho, o mundo arturiano é bem real no que diz à personalidade da turma...

Ilustração de Howard Pyle: Sir Kay quebra a espada durante o torneio.

Não sei ao certo onde começou a má fama do Sir Kay. Acho que menção mais antiga dele que conheço é do Cullwch e Olwen, mas lembrei dele esses dias ao ler um trechinho do Yvain (O Cavaleiro do Leão) na versão do Chrétien de Troyes. Este conto parece ter uma origem bem antiga, e recontado incontáveis vezes até se perder sua origem; assim como outros contos (p.ex. Cliges), o Yvain carrega uma influência nítida dos contos celtas, mais conhecido com o nome de Owein. Me lembrem de falar disso mais na frente, a história é interessante mas estou desviando do assunto de hoje...

Vai um trechinho do Yvain para vocês sentirem o drama:

Fora, à porta do quarto, estavam Dodinel e Sagremor, Kai o senescal, e Sire Gawain. Havia também sire Ivain e com eles Calogrenant, um cavaleiro muito agradável que começou a lhes contar uma história. O caso lhe acontecera não para o honrar, mas para sua vergonha.

A rainha escutava o que o cavaleiro contava. Ela levantara de junto do rei e chegara tão mansamente que ninguém a viu sentar no meio de tanta gente. E Kai, homem muito injurioso e malévolo e venenoso, disse então:
- Por Deus, Calogrenant, sois bravo, sois lesto e agrada-me que dentre todos nós sejais o mais cortês. E sei que acreditais nisso, tanto sois falto de bom senso. É justo que minha senhora pense que tendes bem mais cortesia e bravura que nós. Sem dúvida não nos pusemos de pé por preguiça ou porque não condescendemos nisso. Mas, por Deus, sire, se não nos levantamos é que não vimos minha senhora!

- Sem dúvida, Kai - responde a rainha -, eu gostaria que rebentásseis, se não vos podeis esvaziar do veneno de que estais pleno! Sois odioso e covarde por repreender assim vossos companheiros!

- Senhora - se torna Kai -, se não ganhamos com vossa companhia, evitai que percamos com ela! Não creio haver dito cousa que possam exprobar. Se voz apraz, paremos por aqui. E fazei-nos contar o que o cavaleiro havia começado.
Responde Calogrenant:

- Senhora, não me preocupo com a disputa. Por que a prezaria? Se Kai me fez ofensa, disso não me advirá o menor dano. A outros mais valentes e mais sábios, sire Kai, dissestes amiúde palavras ofensivas, pois sois useiro delas. Sempre deve a esterqueira malcheirar, a varejeira picar, o zangão zumbir, o desleal enfadar e ferir. Mas nada contarei hoje, se minha senhora houver por bem me deixar em paz. E peço-lhe que não diga palavra nem me ordene cousa que me desagrade.

- Calogrenant - disse a rainha -, não vos abalem as maldosas palavras de sire Kai o senescal! Ele tem costume de falar mal e não consegue se corrigir. Não tenhais ressentimento e contai-nos cousa tão prazerosa de ouvir. Eu vos peço. Se quereis conservar minha amizade, começai o conto de novo!

Sangue ruim, né? Ô bicho peçonhento...

Quando falei do conto da charrete (a.k.a. Sir Lancelot) vocês devem lembrar que foi exatamente por culpa de Sir Kay que a rainha Guinevere foi levada refém por Meleagrant, fiho do rei Bandemagus. Então, o histórico do Kay parece mais uma ficha corrida do que algo em que alguém possa se orgulhar. No Le Morte D'Arthur ele continua aprontando, criando desavenças entre cavaleiros o tempo todo. O capítulo II do livro VII conta como Gawain e Lancelot ficaram fulos da vida do Kay ficar caçoando do Beaumains (do conto do Cote Male Taile).

Ainda assim, como ninguém é completamente ruim, sobram a ele algumas proezas cavaleirescas. Nos contos celtas mais antigos é conhecido como "Cai o Alto", e provavelmente por sua altura avantajada ganhou o apelido de "Matador de Gigantes". Tem alguns contos onde contam como foi que derrotou alguns gigantes, geralmente em companhia de figuras conhecidas, como o Pellinore.

A pergunta é: Se Kay é tão maldoso, porque Arthur o fez cavaleiro da távola redonda?

A resposta é mais simples do que parece. Quando Arthur nasceu, foi tomado por Merlin e afastado dos seus pais (Uther e Igraine), e entregue nas mãos do Sir Ector, para que fosse criado secretamente como filho adotivo. Arthur finalmente foi revelado ao mundo quando puxou a espada da pedra, mas nesse dia ele estava apenas acompanhando seu irmão de criação, filho legítimo do Ector. Arthur fazia o papel de escudeiro do seu irmão mais velho, ajudando na hora de vestir a armadura, e cuidando as armas. Foi assim que por um esquecimento faltou a espada, e o jovem Arthur viu a espada abandonada dentro da pedra e a tirou para entregar na mão do seu irmão. O nome desse jovem filho do Ector era Kay, e mais tarde viraria senescal de Camelot, como prova de afeto que Arthur tinha pelo seu irmão de adoção.

É, vida louca...

Até a semana que vem!

Sábado, 6 de Junho de 2009

O Rei Sem Castelo

Sir Mickey, Knight of The Round Table?

Obrigado a todos os pais, mães, tios e tias, filhos e filhas, padrinhos, madrinhas, e anônimos afins que clicam no meu blog quando procuram no google por castelos da Disney. Mas a verdade é, por mais que insistam, não vou falar desse castelo!

Para que não digam depois que a visita no meu blog foi uma perda de tempo, vou deixar um pouco de dever de casa.

1) Visitem a página da Disney. Lá fala tudo o que precisam saber, e mais um pouco. Só uma ajudinha, o castelo que procuram é o Cinderella Castle (link aqui).

2) Para quem não tem como ir, ainda pode trazer o castelo até sua própria casa, e passar uma ótima diversão montando o próprio castelo (link aqui).

3) Quem de fato vai até lá, não esqueça do visto. Sabe, aquele carimbo no passaporte (link aqui).

Até a semana que vem!

Nota do Blogueiro: Esta semana foi punk, e somente hoje consegui parar na frente do micro para teclar alguma coisa. Não quero escrever qualquer balela sobre o Arthur, então preferi fazer este post, que estava rondando na cabeça faz tempo; era para ser uma edição especial no meio da semana, mas enfim... tá aí. Como na semana que vem tem um feriado, provavelmente consiga trazer um post decente... minhas desculpas galera!

Sábado, 30 de Maio de 2009

Dissipando as Brumas

Segunda-Feira. Finalmente acabei a epopéia de ler "Las Nieblas de Avalon", livro da Marion Zimmer Bradley. É claro quea demora não foi pela dificuldade de compreensão do idioma, mas pela extensão da história que se estende ao longo de mais de 850 páginas. Tanto é assim, que esse único livro foi relançado recentemente no Brasil como uma coleção de quatro livros separados vendidos em um box.
De fato o "Nieblas" é separado internamente em 4 livros, provavelmente por razões editoriais, como ocorreu com o Senhor dos Anéis.

Gostei do final. Gostei do quarto livro na verdade, onde todos os cabos soltos são finalmente resolvidos.

A base da história nesta releitura da lenda arturiana não é ação, é sentimento. É um universo totalmente feminino explorado até a exaustão.

A história toda gira em torno de Morgana, que interpreta todos os papéis imagináveis: criança, filha, irmã, deusa, mãe, e outros mais estranhos como fada ou mesmo como visão da morte. Mas é como sacerdotisa de Avalon que desenvolve o maior dos papéis, ao buscar o tempo todo o equilíbrio entre o mundo que cultua a Deusa (Avalon) e o mundo dos homens, que se deturpa ante a crença de um Deus cristão.

Nenhum dos personagens que gostamos faltou nesta versão emotiva da história. Temos o Arthur como o irmão mais novo de Morgana, que acaba ganhando Excalibur e virando o rei da Bretanha. Temos os começos do conto com Igraine e Uther se encantando. Temos o triângulo pivô das tramas novelescas entre o Arthur, a Guinevere e o Lancelot. E temos no mínimo três Merlins. Porque no conto, o Merlin é um cargo, uma profissão, e não um nome.

Tudo gira em torno à Deusa. Os homens nunca aparecem como donos do seu destino; em tudo há o dedo de uma ou mais mulheres que manipulam suas decisões, que inclinam a balança de alguma forma. Isto me irritou muito durante os dois primeiros livros, mas não ao ponto de largar a leitura. Tenho que admitir que é um exercício literário e tanto criar uma história tão complexa, mas ao mesmo tempo confunde ao conhecer versões mais antigas da lenda. Várias sacadas me surpreenderam, mas a maior delas foi a maneira na qual Guinevere ficou finalmente com o Lancelot. Não vou comentar disso por aqui, para não estragar o conto para quem for ler.

Como toda novela feminina, tem poucas, bem poucas batalhas. Quando os homens vão guerrear, o conto simplesmente fala da espera das mulheres pela volta, e de como o inverno é ruim. Na volta deles, pouco se diz sobre o resultado das batalhas; se eles voltaram, é porque tudo correu bem e pronto. Nisso fiquei esperando mais.

Apenas as batalhas individuas, um contra um, "mano a mano" que as lutas ganham cores. Mas onde a descrição atinge o ápice são nos momentos de transe das sacerdotisas de Avalon, especialmente no caso das Damas, como Viviana ou a própria Morgana. São momentos de agitação atordoante, ao ponto ler mais de uma vez para entender o que aconteceu. Em alguns casos, o que aconteceu de fato é revelado mais tarde, e fica essa dúvida até chegar no tal parágrafo revelador.

Outra coisa que curti muito no livro (embora percebi isso somente perto do final) é a passagem do tempo. Acompanhamos a vida da Morgana de criança até bem idosa, e no caso do Arthur de antes do nascimento até o fim. No livro ocorrem guerras, viagens, trocam as estações, as pessoas se casam, tem filhos, os filhos crescem, e por aí vai. Tudo isso mostra nítidamente as nuances do avanço do tempo, e assim faz sentir que a história avança mesmo quando não ocorre nada extraordinario.

Provavelmente não leia este livro (ou são quatro afinal?) tão cedo de novo, até pela quantidade de outros livros que estão na fila. Entre eles, os outros livros que completam a trilogia de Avalon: "A casa do bosque" e "A Dama de Avalon".

De resto, fica a satisfação de finalmente ter lido e terminado esse livro fujão, que durante anos e anos não conseguia em lugar nenhum.

Até a semana que vem!

Sábado, 23 de Maio de 2009

Internet, A Nova Alexandria

As vezes penso na internet como uma versão moderna e revisitada a Biblioteca de Alexandria. Para quem não lembra das aulas de História ou por umas e outras nunca ouviu falar, a Biblioteca de Alexandria foi o maior acervo de conhecimento da humanidade no mundo antigo, iniciada provavelmente por Ptolomeu uns 3 séculos a.C e destruída em 646 d.C na invasão árabe ao Egito. Contam os textos antigos que o acervo tinha mais de 600.000 papiros, mas outros cálculos rezam mais de 1 milhão de papiros. Todo esse conhecimento reunido em um só lugar, um hub de cultura dedicado à literatura e ciências. Só a idéia de um lugar assim é de arrepiar.

Penso na internet dessa forma, como um acervo gigantesco de conhecimento, parte ao alcance de nossas pesquisas e procuras, parte oculto por não conhecer o endereço, o idioma, ou mesmo não saber exatamente o que se procura.

Em 1996, um grupo sem fins de lucro (hoje chamados de ONGs) se associou para reunir um acervo de informações, e com ajuda de outros grupos e organizações criaram o www.archive.org. Este site reúne conteúdo que dificilmente encontraríamos de outra forma, especialmente livros bem antigos escaneados por parceiros como MSN, Yahoo e outros. É de uma série de livros que quero comentar hoje, disponíveis no archive.org para livre download.

Quero falar para vocês de uma série de livros sobre a lenda arturiana, escritos por Howard Pyle (1853-1911). É claro que não li os livros ainda, pelo menos não mais do que algumas páginas para poder escrever, mas estão na lista cada vez maior de pendentes para ler. Pyle escrevia livros como atividade paralela a sua real vocação; foi um dos ilustradores mais importantes da sua época, e seus livros eram a forma de dar nexo às imagens, de criar uma história entre um desenho e outro. Estes livros são ricamente ilustrados, e mesmo quem não conhece Inglês tem a oportunidade de apreciar ilustrações muito elaboradas, e ver como era diferente publicar livros nessa época. Pyle faleceu um ano depois de concluir seu último livro desta saga, mas nem de perto foi o único trabalho literário dele. No arquive.org consta uma lista enorme de títulos no seu nome, entre eles as aventuras de Robin Hood.

Deixo aqui o nome dos livros e o link para a página no arquive.org, onde está disponível para download nos mais diversos formatos, entre eles alguns de palmtop e similares:

The story of King Arthur and his knights (1903)

The story of the champions of the Round table (1905)


The story of Sir Launcelot and his companions (1907)

The story of the Grail and the passing of Arthur (1910)

Até poderia comentar sobre os livros, mas tenho uma proposta mais interessante. Usem os links acima, e baixem qualquer um dos livros em PDF. A sensação de redescobrir um livro tão antigo é tão particular e única que não posso nem quero tirar esse prazer de vocês. Ver como era a escrita, a impressão, a riqueza das ilustrações. E não percam os comentários do autor e editores nas contracapas, são bem interessantes e refletem o estilo de uma época bem distante da nossa.

Não, o post de hoje não vai ter ilustrações. Quem quer uma, procure por ela!

Até a semana que vem!