Érec et Énide: Parte 1

Mais uma, ou a primeira de muitas?


Chrétien de Troyes disse que os séculos conservariam a lembrança de Érec et Énide "enquanto perdurasse a Cristandade". O valor desta obra reside em compor o primeiro romance do ciclo arturiano (bretão), literatura que marcaria presença na Europa durante vários séculos. Estes romances foram traduzidos para todas as línguas meridionais, germânicas, escandinavas... até no Oriente podemos encontrar traduções destes textos.
Dentro da literatura francesa, esta é a primeira obra de fato reivindicada por Chrétien como de sua autoria. Isto acontece de um jeito interessante no texto: Ele se vangloria como autor, se definindo como "um erudito", menosprezando os jograis que vivem "do penoso oficio de contar histórias". Com isso, ele não está se gabando, apenas mantendo uma tradição da antigüidade e pagando aos jograis com a mesma moeda, que debocham dos escritores incapazes de atrair a atenção de um auditório.
Da mesma forma que acontece com Lancelot, Yvain e Cliges, este romance foi inspirando em um conto galês, pegando carona em lendas da Bretânia e Armórica, e pelo lado celta, de Câmbria e Cornualha.
O conto galês que falei acima começa assim:

Artur tinha por costume de reunir sua corte em Carlion-sobre-o-Osk. Ali a reuniu sete vezes na Páscoa e cinco vezes no Natal, e mesmo às vezes no Pentecostes, pois seu reino Carlion era a cidade mais acessível por terra e por mar...

Já o conto francês do Chrétien:

No dia da Páscoa, no tempo novo, o rei Artur reuniu a corte no seu castelo de Cardigan. Homem jamais vira corte tão rica...

A semelhança é gritante, mas para alguns pesquisadores, na verdade ambos os contos são contemporâneos, e tem por fonte um outro conto mais antigo, perdido no tempo.
A diferença substancial entre ambas as histórias é no lado cavaleiresco, romántico. O conto de Chrétien usa e abusa do lado romántico para explicar e dar motivos aos fatos, enquanto o conto galês e mais... como a vida é , por assim dizer.
Um bom exemplo disso dentro do conto é a caçada ao cervo branco, promovido pelo rei Artur entre seus cavaleiros, na floresta próxima ao castelo. No conto galês, o prêmio é "a cabeça ensangüentada do animal", enquanto no romance francês, o cavaleiro vencedor da caçada teria o direito de indicar qual a jovem mais justa, que ganharia um beijo do rei (tradição que começou com Pendragon, pai de Artur). Logicamente, todos os cavaleiros desejam honrar suas damas, portanto se dedicam na caçada para ganhar este destaque para suas respectivas amadas. Quem ganha o beijo é Enide, a pedido de Erec.
A história deles é cheia de romance, e de confusões. Em vários episódios as intrigas e mal-entendidos ocasionam desgosto entre os amantes, mas finalmente após penar bastante eles se reencontram, se descobrem novamente.
É uma historia demorada de contar, e por isso vou estendê-la por mais uns posts. Conforme o tempo que tiver, vou publicando aos poucos, para quem não conhece a história e gostaria de ouvi-la.

Então, algum dos meus leitores já ouviu o conto de Erec e Enide? Comentem!

4 comentários:

Isone de Hasgar disse...

Saludos!
Pues sí, tienes un blog de temática similar al mío ^^. Hemos coincidido en Chrétien de Troyes o en las armas de asedio, por ejemplo :). E imagino, que la banda sonora de 'El Rey Arturo' es una de tus favoritas xD (la película no me gustó tanto como su música).
Da gusto encontrar rincones tan bellos y ricos como éste. Felicidades!

Pedrita disse...

fiquei curiosa em conhecer essas obras. beijos, pedrita

Renata disse...

Eu não conheço o conto! Vou esperar os próximos posts pra conferir =)
Beijos!

Andrea disse...

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