Dossiê Quentão

Coitado do Kay. Tudo bem ele ser grosso, mas não ganhar nenhum comentário em uma semana foi aversão demais com a figura dele... Vamos ao assunto desta semana, parte do folklore local. E quem não sabe o que é folklore, pode perguntar, ok?

Heresia?

Estava eu cozinhando em casa (sim, eu cozinho, não frito ovo), e comentei um lance sobre as festividades desta época. As festas juninas foram introduzidas no Brasil pelos jesuitas, comemoradas em Junho e Julho, trazidas diretamente de Portugal como uma festa dos santos (particularmente, São João, quem dá o nome as festas juninas). Só que tem um pequeno detalhe, estas festas tem um lado arturiano...


Claro, ninguém bota fé em ver o Lancelot fantasiado de caipira e de bigodinho pintado (embora eu pagava). O fato é que as tradicionais festas juninas foram mais uma adaptação para contentar a horda de pagãos, autorizando as festas da primavera na antiga Europa. Já explico direito.

Sabem o lance do culto umbanda, ou mais precisamente o candomblé? Os escravos fizeram uma analogia entre os santos cristãos e os orixás dos cultos africanos, desta forma eles conseguiam praticar seus cultos e honrar seus orixás sem tomar toco dos donos das fazendas. Ou seja, quando eles faziam culto para Santo Antônio (na Bahia) ou São Jorge no Rio, na verdade eles estavam cultuando Ogum. Assim tem outras analogias, mas não vem ao caso. Vamos voltar ao post de hoje.

Na antiguidade européia, o culto aos deuses "pagãos" incluia a festa da primavera, ou festa da coleita, basicamente uma celebração para agradecer aos deuses e a Mãe Terra (aka. Natureza) pela benção da vida, pelo renascimento dos frutos. A Natureza é vista como uma divindade, que como uma mãe alimenta seus filhos com seus frutos. É uma celebração da vida, e como tal muitos camponeses procuravam "acasalar" (er.. sim, isso mesmo) nestas festividades, para que seus filhos nascecem com a benção da Deusa.

No momento em que o cristianismo começou a perseguir os "falsos cultos", e converter as pessoas para a verdadeira fé, o druidismo caiu em desuso, salvo em coletividades isoladas, afastadas do contato com as grandes cidades. Claro que os curas tiveram problemas enormes para convencer as pessoas que não podiam cultuar mais de uma religião (coisa bastante comum no Brasil, aliás), e com isso o povo manteve, muitas vezes escondido, as festas de Juno, da Deusa, do mês de Junho, da primavera. As festas juninas.

Naquela de "si no puedes vencer, únete a ellos", os curas converteram aos poucos a festa junina em uma festa para São João, e de geração em geração a idéia foi se arraigando. E uns quantos séculos depois, nos encontramos fazendo quentão, soltando balões e dançando quadrilha.

Vai uma dica de leitura: para quem quiser explorar mais a fundo as festas da Deusa, leia com carinho (e paciência...) As Brumas de Avalon. É o ponto de pivô de quase todos os acontecimentos do livro.

Até a semana que vem!

2 comentários:

Renata disse...

Agora que vc falou eu vi que nem eu comentei no último post! Com certeza li correndo, deixei pra depois e... enfim.

Sobre as festas, uma professora minha disse uma vez que a maioria das pessoas católicas não tem idéia de que as coisas que comemoram têm origens pagãs. Deve ser divertido discutir festa junina ou papai noel com uma beata hehehe!

Beijos!

Wally disse...

Discutir com beata? Hehe... Essa é tua idéia de diversão? Gostei :)