Sessão Especial - Knights of the Round Table

Damas e Cavaleiros, o blog orgulha-se em apresentar hoje um verdadeiro clássico de Hollywood: Knights of the Round Table, fita de 1953 estrelada por Robert Taylor no papel de Lancelot, e a espetacular Ava Gardner no papel merecidíssimo de Guinevere. Caramba, que mulher.


Esta fita TAMBÉM deu trabalho para encontrar, mas quem tem internet, bom... O resto vocês conhecem. A fita, inspirada no conto de Malory, me deixou com um misto de alegrias e confusões. Já explico melhor. Acontece que a história que o filme conta é realmente esquisita. Temos todos os nomes e lugares conhecidos, porém os papéis e ordem das coisas está beeem alterado. Vamos aos fatos:

Encontramos logo no começo um Arthur já adulto e meio-rei, que é defendido por Merlin como o único digno de ser seguido como High-King. Para isso, ele puxa a espada da pedra na frente de outros reis, e no meio deles estava Morgana e... Mordred, já adulto, e de caso com Morgana, loira e da mesma idade que o Arthur e Mordred. (Hein #1). Como ninguém se conformou, Arthur coloca a espada na pedra novamente, e Mordred tenta puxá-la (Hein #2). Como não consegue, diz que isso não quer dizer nada, e a decisão devia ser aceita pelo Concilio do Círculo de Pedras, que obviamente é Stonehenge (Hein #3).

Logo a seguir, vemos uma cena onde tem uns cavaleiros bem arrumados, cavalgando alegremente e cantando, mas em volta deles está tudo queimado e destruido, mas não estão nem aí (Hein #4). Entre eles está Lancelot, que encontra Elaine e decide dar carona para ela, mas tem que se desviar deste propósito para lutar com os soldados de Mordred, que queriam matar Arthur e estavam preparando a armadilha. No meio desta confusão, Surge Arthur, que luta junto de Lance, e depois contra o Lance, e ficam amigos forever (HEINS???).

OK, Arthur some, Lance acha no seu caminho um cara que tinha como refém a Guinevere e mais outra mocinha anônima. Lancelot ganha um lencinho da Guinevere como prenda, derrota o cara, e resgata as mocinhas, mas pede para outro cavaleiro acompanhá-las até seu lar porque ele tinha coisa melhor pra fazer. Isto lembra alguns detalhes do conto do cavaleiro da charrete, onde Lancelot de fato salva Guinevere, mas até aí as comparações.

O fato é que Lancelot volta para combater o exército de Mordred ao lado de Arthur, e isto nos rende uma cena fantástica, típica da era de ouro do cinema de Hollywood. A carga da cavalaria, acelerando aos poucos é de tirar o fôlego.

Bom, Arthur ganha, e é nomeado rei, mas por perdoar Mordred e chamá-lo para ser cavaleiro dele acaba perdendo a amizade do Lancelot. Ele somente volta durante o casamento de Arthur com Guinevere, onde Arthur fica sabendo que ela foi salva pelo Lancelot, e o nomeia campeão da rainha. Aí começa o joguinho de olhares e tralalá dos dois, coisa que Morgana percebe.

Merlin também percebe, e diz para ela esquecer, afinal Lancelot casaria com Elaine. Tanto é assim, que ele casou e foi embora para combater no norte; nesse meio tempo, Merlin morre envenenado por Morgana, e o bebê Galahad é enviado por Lancelot para Camelot para ficar aos cuidados de Arthur e Guinevere. Agora todos juntos em coro: "HEIN????"

Lancelot volta triunfante e viúvo para Camelot, declaram feriadão, e se encanta com Vivian, jovem e bela. Rola um ciuminho básico da Guinevere, quem vai buscá-lo à noite para tirar satisfação; Mordred manda seus homens para pegá-los no flagra, e após a clássica luta Lance e Gui fogem.

Na manhã seguinte, eles são condenados a morte por incitação do Mordred, mas Lancelot aparece e se entrega, falando que ele apenas fez o que se espera do campeão da rainha, que é defendê-la, e por isso se entregava desde que ela seja poupada. Arthur não acha a menor graça em condenar a morte seu melhor amigo e sua mulher (mais ainda sendo a Ava Gardner), e decide mandar Lancelot ao exilio, e a Guinevere para o convento em Amesbury.

Com isso Morgana e Mordred conseguem levar a cabo seu plano maléfico (sempre quis usar essa palavra...), e separam Lancelot de Arthur; logo depois Arthur e Mordred viram exércitos separados, e antes de lutar chegam a fazer as pazes, porque Arthur não quer lutar contra seus próprios compatriotas. Mas uma cobra (literalmente) se aproxima de um cavalo, e quando um cavaleiro puxou a espada para matar a cobra, os outros entenderam traição, e partiram para o ataque. Não, não tem hein nesta parte, foi assim mesmo no livro.

Lancelot escuta de Arthur as palavras de perdão, e um pedido: que leve este perdão para Guinevere. Ele o faz, indo ao convento onde conta para Guinevere (já freira) que Arthur morreu, mas antes de morrer a tinha perdoado. Ela se reclui, e Lancelot sai.

Mas agora tem um HEIN daqueles: Arthur MORRE neste combate, Lancelot pega Excalibur e a lança no mar, mas parte para um castelinho mediocre onde Mordred e Morgana se escondem. Mordred e Lancelot lutam até a morte, onde Mordred morre esfaqueado, o Lancelot quase bate as botas na areia movediza, mas é salvo por Beric, seu cavalo superobediente numa interpretação de dar inveja à Lassie. Sim, Hollywood sempre gostou de animais atores.

Após isto, Lancelot chega cansado da vida em Camelot, encontra com Galahad, e juntos tem a visão do Graal na távola redonda, porém esta visão é apenas concedida ao Galahad, quem não tem pecado. Lancelot tem que se conformar com um relance, um instante da visão, e o conforto do filho ao lado dele. E sobem as letrinhas do fim.

Deixando a salada de lado, gostei muito do filme, achei fantásticas as cenas de luta e os figurinos perfeitos, a ambientação caprichada também é um plus a mais, e somente ficou devendo a atuação, que em alguns momentos é lastimável, sem a menor emoção. Mas vale a pena, tem muitos mais prós do que contras! Recomendo!

E agora?

Eu sei que venho falando muito de filmes ultimamente, mas não é minha culpa se os filmes não páram de cair no meu colo. Cada vez que falo de um, parece que aparecem mais dois ou três... Ainda quero falar do Tristão e Isolda, já que na época falei superficialmente. E quero falar também de um filme bem estranho, chamado "Perceval Le Gallois", que relata o conto do Perceval no formato do Chrétien: em poesia, com os dialogos originais. Nem que fizeram com o Hamlet.

Depois disso, quem sabe eu volto a blogar sobre livros, contos e outras coisinhas... material não falta, né?

Até a semana que vem!



2 comentários:

Renata disse...

Esse post parece uma versão arturiana do Todo Mundo em Pânico, hehehe... me diverti com a leitura! Incrível como esse pessoal tem imaginação, pra fazer essas lambanças com a lenda!
Beijos!

Marion disse...

Amor, faltou falar dos vestidos da Guinevere. Eu adorei os vestidos, dignos de uma rainha mesmo!

Eu gostei do filme, apesar das liberdades do roteiro que fez o samba do cavaleiro doido, né? E claro, adorei a Ava Gardner como Guivenere! Linda demais!

Beijos