E o Leão?

Finalmente separei um tempo para ler com mais dedicação o conto de Ivain, o cavaleiro do Leão. Para quem tem boa memória, era um dos candidatos a post na enquete que fiz há um ano e meio; acho que isso basta para dizer até que ponto o livro não se encaixou nos meus horários. Para falar a verdade, tenho lido muito pouco ultimamente. Preciso retomar esse costume. Parece que a lista de coisas que deixo de fazer só cresce. Tanto é assim, que tem caixas de DVDs (seriados e minisséries) que ainda estão com o plástico. Na prateleira, mas com o plástico.

O que posso contar hoje é que a história de Ivain (ou Yvain, ou Owein) é uma das mais chatas que já li. Sério. Muita enrolação, muito lero-lero e pouca trama. Diálogos intermináveis, que se estendem por páginas e terminam onde começaram. Não me animou até agora, mas vou terminar de ler. Acho que o mais frustrante é que o nome da história é o tal do "Cavaleiro do Leão", mas tive que ler 70% do conto para o tal do leão aparecer. Por assim dizer, ou a intro ficou muito longa, ou o nome do conto não bate... Que tal chamar de "Ivain, o cavaleiro que fez um bocado de coisa e viu um leão"?

Certo, certo... vamos deixar o Chrétien de Troyes descansar em paz, afinal ainda é um dos meus escritores favoritos. Este livro traz (de novo!!) uma história de amor cortés, só que bem superficial.

Tudo começa com uma reunião de cavaleiros na corte do Arthur, onde Sir Calogrenant (alguém conhece??) conta a pedido da rainha Guinevere sua desgraça em uma aventura ocorrida nas florestas de Broceliande: ele estava por aí cavaleirando a beça, até que encontrou um sujeito feio pra caramba cuidando de touros, enfrentando os bichos apenas com as mãos. Calogrenant se espantou desta visão, e foi perguntar para o cara se sabia de alguma aventura por aí que ele pudesse fazer. O feioso contou pra ele que na floresta tinha uma bacia de mármore com água. Do lado dela havia uma pedra enorme e brilhante, como de fosse uma esmeralda gigantesca esculpida como pilastra. o topo da pedra era enfeitado com outras pedras, e pendurada em cima delas havia uma jarra de ouro. Se ele recolhesse água da bacia com a jarra e a jogasse por cima das pedras, o tempo fechava (literalmente!) e chovia como se fosse o fim do mundo. Assim que a tormenta passava, toda a vida voltava à floresta, com pássaros cantando e tal.

Calogrenant se animou e foi ver a tal pedra, fez a caca de molhar a pedra, e choveu pacas. Assim que a chuva parou, escutou um cavaleiro vindo ao galope, totalmente armado. O cavaleiro gritou para ele: Quem sois para me desafiar! Eu sou o guardião da fonte!; e partiu pra cima do Calogrenant, o derrubou do cavalo, e levou seu cavalo embora.

O lado bom desse conto é que Calogrenant foi honesto, reconheceu que perdeu e tal... gente fina, gostei dele. Claro que todos os cavaleiros ouviram a "maravilha", e decidiram buscar a fonte. Só que Ivain não quis esperar e saiu de fininho para fazer tudo sozinho, e depois contar como foi.

Cabe dizer que o Kay está mais atacado do que nunca neste livro, asqueroso e de má índole como não lembro dele em nenhum outro livro. Estou avisando porque não sei se ele aparece em algum momento crítico da história, mas até agora somente encheu linguiça falando besteira.


Ivain combate com o defensor da fonte, miniatura de 1433.

Bom, Ivain foi até lá, fez tudo, e enfrentou o cavaleiro quase que de igual para igual. Os dois terminaram destroçados, só que o cavaleiro levou a pior, e percebeu que ia morrer pelo sangue que estava perdendo; assim subiu no cavalo e correu para seu castelo. Ivain foi atrás dele, tentando acabar de vez com o sujeito. Os dois entraram no castelo por um corredor muito estreito, uma armadilha típica de castelos. Assim que o cavaleiro passou, duas grades afiadas cairam no corredor, fechando o mesmo. A que fechou por trás caiu com tal força que cortou o cavalo do Ivain no meio, mas ele que estava inclinado sob o pescoço do cavalo acabou se salvando. O lance é que Ivain ficou preso entre as duas grades, e sabia que ia morrer quando o encontrassem. Uma dama do castelo o viu e o tirou de lá antes que o resto viesse, usando um anel que o deixou invisível, e o escondeu no castelo. O castelão morreu, e a mulher dele queria a cabeça de quem tivesse matado o marido.

A dama que ajudou Ivain a se safar é Lunete, uma das damas de companhia da mulher do castelão. Lunete ficou enchendo a cabeça da sua dama até convencê-la que precisava desposar novamente, ou o castelo cairia nas mãos de quem fosse atacá-lo. Feito isto, ela disse que em um confronto entre cavaleiros, quem ganha é superior, portanto quem derrotou seu marido bem podia ser melhor do que ele. Finalmente, disse quem foi quem matou seu marido, e que devia tomá-lo em casamento para ter como se defender. Inacreditavelmente, ela topa. E assim, Ivain desposa a Laudine, Dama de Landuc, filha de Landunet, ex mulher do defunto Esclados. Olha quanto nome bonito para filho!

Arthur e os cavaleiros partem (finalmente) para ver a tal da fonte de pedra, e molham a pedra, chove, etc.etc. Agora quem aparece para defender a fonte é Ivain, e Kay decide enfrentá-lo. Claro que cai do cavalo, mas Ivain leva o cavalo até Arthur e diz que nada podia tirar dele. Nesse momento tira o capacete e se revela como Ivain, ao que todos comemoram. Todos vão ao castelo de Ivain, e ficam lá uns 8 dias.

Gawain diz para Ivain que porque está casado não pode deixar de ser cavaleiro e virar um encostado, e pede para acompanhá-lo nas aventuras; ele pede permissão para a mulher, que o autoriza com apenas uma condição: que volte em um ano. Sendo assim, ela lhe dá um anel que o protege.

Passa o ano, e Ivain não volta. Um dia chega uma dama no castelo de Arthur, e pergunta por Ivain. Ao encontrá-lo, o chama de mentiroso e vil, destruidor de corações e etc., e arranca o anel da mão dele dizendo que não era mais merecedor de carregá-lo no dedo, e que a dona do anel o queria para si novamente.

Ivain fica envergonhado, mas banca pose na frente dos outros cavaleiros. Quando pode sai de fininho, vai para a floresta, fica louco e arranca as roupas, e vive como selvagem um tempão até que uma moça o encontra dormido e percebe pelas cicatrizes do rosto que era Ivain. Passa um hipoglós mágico da Morgana na testa dele enquanto dorme, o que tira a loucura, e antes dele acordar largou umas roupas para que ele coloque. Ele acorda, percebe que está nu, se veste, e a damisela que ainda estava por aí faz de conta que o acaba de encontrar, e pede para lhe acompanhar.

Até aqui passou mais da metade do livro. E pergunto eu, cadê o Leão??

Até a semana que vem!

Um comentário:

Renata disse...

Lendo seu resumão a história não parece tão chata, apesar de não acontecer tanta coisa, mas isso tudo contado na base do embromation deve ser difícil de engolir... qtas páginas antes de cair no sono? :) mas volta depois com o leão, hein!
Beijos!