Wally meets Walt

Os que seguem o blog faz tempo sabem como reclamo cada vez que vejo quantas visitas caem no meu blog procurando por castelos da Disney... Bom, desta vez o assunto até que tem a ver, já que vou falar de umas historinhas com os personagens criados pelo grande Walt.

Foi lançada no Brasil uma coleção de HQs chamada "Clássicos da Literatura Disney", que celebra os 60 anos do quadrinho "O PATO DONALD", publicado no país sem interrupções desde seu lançamento em 1950. Como se fosse pouco, é a primeira revista publicada pelo grupo Abril, ocupando assim um lugar de honra na história da imprensa brasileira. Esta e outras informações aparecem na contracapa dos livros, para que não digam que não cito as fontes.

A coleção está composta por 20 volumes, que exploram clássicos da literatura onde os personagens da Disney são os protagonistas; assim, encontramos historinhas publicadas há muito tempo, e outras inéditas no Brasil. Assim, encontramos os contos do Guilherme Tell, o Mágico de Oz, Dom Quixote, e tantos outros monumentos da literatura. E eis que para minha surpresa, perambulando na seção de revistas da Livraria Cultura do Shopping Market Place, dei de cara com o Volume 4, "Os Cavaleiros da Távola Redonda". Pois é. Finalmente vou falar da Disney sem fugir do assunto do blog, hehe..



Li o livrinho bem rápido, e devo ler mais algumas vezes ainda. É muito divertido ver a transformação dada às histórias, o trabalho de adaptação para a linguagem típica das tirinhas. Heróis e vilões muito evidentes, muitas piadas rápidas, e roteiros simples, sem enrolação. Tudo como tem que ser, tudo no lugar.

No começo do livrinho temos uma explicação, ou falando melhor um profundo detalhamento das tirinhas contidas no livro, o que dá um sabor real de coleção, e mostra o cuidado e carinho com que foi feito este trabalho. Vou transcrever para vocês estas descrições, com o nome dos 4 quadrinhos que vieram no livrinho. E é claro, com minhas participações e comentários em letra menor.

Mickey e os Cavaleiros da Távola Redonda
Roteiro: Sisto Nigro
Desenho: Giampiero Ubezio
Data: Fevereiro de 1988

As quatro HQs deste volume são inspiradas nas célebres histórias do rei Artur e nos personagens que habitam as páginas dos romances medievais. Mas será que o lendario rei e os famosos cavaleiros de Camelot existiram mesmo? (Claro que existiram! Herege!) Na primeira aventura deste volume, inédita no Brasil, Mickey e Pateta decidem investigar por conta própria. Viajam em uma máquina do tempo e desembarcam no reino do Artur. Na ficção, claro, tudo é possível. Muitos estudiosos gostariam de fazer o mesmo (tipo assim, eu...), mas devem se ater aos registros históricos. Estes indicam que, na verdade, nem rei Artur foi (Err.. discordo. Bom, mais ou menos). O mais provável é que ele tenha sido um valente guerreiro que viveu no século 6 na Bretanha, região que hoje corresponde ao norte da França e ao Reino Unido (era mais Inglaterra e Gales, mas tudo bem). E, em 517, teria sido um militar poderoso na batalha de Monte Badon, na qual os bretões derrotaram os invasores saxões. Suas primeiras histórias, unindo alguns fatos reais e muita fantasia, só ganharam as páginas dos livros em 1136, com a publicação do História dos Reis da Bretanha, do inglés Geoffrey de Monmouth, que transformou o guerreiro em um dos mais relevantes monarcas do Reino Unido (grande Geoffrey). O sucesso foi imediato e fez surgir um novo gênero literário, chamado de romances da cavalaria. Um dos seus principais autores foi o francês Chrétien de Troyes (de pé senhores, palmas para ele!), que no final do século 12, escreveu cinco livros sobre Artur. O mito cresceu ainda mais. Em 1470, o romance A Morte do Rei Artur, do inglês Thomas Malory, deu contornos definitivos ao personagem e às proezas protagonizadas pelos cavaleiros da corte.
(Gente, achei o máximo essa descrição. Encontrar isso em um gibi me espantou).

Nos Tempos do Rei Artur
Roteiro: Vic Lockman
Desenhos: Paul Murry
Data: Janeiro de 1966

Na segunda HQ, publicada no Brasil pela primeira vez em ZÉ CARIOCA 759, de 1966, Mickey torna-se monarca da Inglaterra ao extrair da rocha uma espada mística. Os desenhos foram criados por Paulo Murry (1911-1989), que ganhou fama produzindo as melhores aventuras policiais de Mickey e Pateta, publicadas originalmente de 1953 a 1984 em capítulos na revista Walt Disney's Comics and Stories. Tímido e avesso a badalações, o artista concedeu apenas uma entrevista na vida. Foi para o fanzine americano Duckburg Times em 1981. Sobre as centenas de aventuras que ele criou ao longo de décadas, Murry humildemente declarou: "Fiz o melhor que pude". (Grande Murry. Foi um cara e tanto. E seguindo o exemplo dele, também faço o melhor que posso, espero que continuem gostando!)

A Lenda do Rei Artur

Roteiro: Sauro Pennacchioli
Desenhos: Sandro Dossi
Data: Março de 1988

A disputa pela espada e pela coroa também inspira a terceira HQ desta edição, inédita no Brasil. As lendas arturianas trazem duas versões para a origem da mística Excalibur. Na primeira, Artur é coroado rei após retirar a espada mágica da rocha. Na outra, ele a recebe das mãos da Dama do Lago (principal sacerdotisa do reino mágico de Avalon), que habitava em um local sagrado. (Bom... de novo gente, a pedra na rocha não era Excalibur e ponto. Não sei por que a confusão... quem quiser procura no meu blog que acha tudo. E por sinal, Avalon não era um reino, era uma ilha). Em 1963, os Estúdios Disney lançaram o desenho animado A Espada Era a Lei, baseado na lenda da espada encravada na rocha, que tem a forma de uma bigorna. (O filme é legal, e se inspira no texto do T.H. White. Acho que faltou comentar isso no texto, mas enfim, deixa que eu faço).

Tristão e Isolda (What? Sacrílegos!)
Roteiro: Alberto Auteliatano e Luciano Bottaro
Desenho: Luciano Bottaro
Data: Outubro de 1996

A história de Tristão e Isolda, que inspira a última HQ, também inédita por aqui, tem origem na cultura celta, povo que, entre o século 11 a.C. e o século 1 a.C., habitou o território que hoje compreende a Irlanda, a Grã-Bretanha e a França. Transmitida oralmente por gerações, a trama foi imortalizada no romance Tristão em Prosa, de autoria desconhecida. Escrita entre 1230 e 1240, a obra incorporou as desventuras do casal às lendas do rei Artur e narra a história de Tristão, que se apaixona por Isolda, esposa do seu tio, o rei Marcos da Cornualha (se bem que os fatos não foram bem nessa ordem). Talvez a mais célebre (adaptação?) seja a ópera composta pelo alemão Richard Wagner entre 1857 e 1859.

E até aqui a intro do livrinho. Uma coisa que não comentei, é que como em todo gibi que busca traduzir uma lenda para o universo das HQs é que a história está totalmente deturpada em relação às lendas aceitas por oficiais, mas, o que seria de um gibi se tiver que ficar sério e seguir outros textos à risca? Vale como diversão, como curiosidade, e porque não, como pavio de curiosidade para incendiar a molecada e fazer que procurem mais livros e coisas sobre o assunto. Bom, quem for procurar na internet com certeza vai passar por aqui, assim que até daqui a pouco para vocês, curiosos!

Até o próximo post!

2 comentários:

Renata disse...

Bacana!
Parece mesmo que apesar da "licença poética" dos quadrinhos, eles se preocuparam em contextualizar os temas tratados. Os outros volumes da coleção devem ser interessantes se seguirem a mesma linha!
Beijos!

Wally disse...

@Rê, procura algum livrinho qualquer da coleção e veja por você mesma! Eu comprei mais um sobre a Ilíada, mas não li ainda. Lembre-se que é a visão Disney de contos clássicos, então são versões beeeem deturpadas, porém engraçadinhas e muito inocentes. Leia pra Bia!

Obrigado pelo comentário!