Camelot, o Projeto?

Então, eis que eu achei que tinha achado um post para escrever, e me senti enganado na medida que avançava mais sobre o assunto.

Encontrei um site, ou uma entidade, chamada Project Camelot (não vou linkar porque não quero que meus visitantes caiam lá através do meu blog). Comecei a ler o about us, e falava que é um grupo formado após passarem uma semana em Tintagel, olhando para o mesmo mar que o Arthur viu quando criança. Até aqui, beleza... só que a idéia deles é ficar entrevistando pessoas que eles chamam de "true-tellers" para entender a verdadeira natureza do mundo (seja lá o que isso quer dizer). Assim, visitaram e entrevistaram muita gente, no começo com o dinheiro deles mas depois através de doações. Resumindo, associaram a idéia de Camelot, Távola Redonda e vai saber em que momento enxergaram isso como uma idéia utópica ou idealista sobre a compreensão do mundo. 

Apenas para ilustrar um pouco a coisa, Arthur foi uma criança filho de um adultério e assasinato, que foi abandonada pelos pais nas mãos de um velho pirado, que também largou o moleque nas mãos de um cavaleiro qualquer. O moleque foi criado como filho deste cavaleiro (o Ector, ou Heitor se vc preferirem), e do lado do filho legítimo de Sir Ector que por sinal virou o cara mais pentelho do mundo arturiano: o jovem Kay.

Eis que praticamente por acaso Arthur puxa a espada da pedra, vira rei no meio de um monte de gente que queria matar o menino por ter conseguido tal proeza e foi salvo pelo mesmo velho metido e rabugento, que depois viraria seu conselheiro mesmo com essa ficha corrida. Assim, cai no colo do menino expulsar os invasores saxões. Só.

Em algum momento da sua existência, o velho leva o moleque para transar com a irmã, sem saber que é a irmã, e pumba, com isso a Morgana passa a odiar seu irmão e ainda fica com o bucho, de onde sai Mordred, que é envenenado desde que nasceu para ter rancor do pai biológico.

Já mais crescido, conhece o amor da sua vida, a Gui, e mais tarde encontra também quem seria seu cavaleiro de confiança e melhor amigo, o Lancelot. Como eles pagam esse afeto todo do Arthur? Um vai pra cama com o outro, e ficam traindo não apenas o Arthur, mas o rei de Camelot, e grande rei de toda Britania. Para terminar a história, seu único filho biológico (o Mordred) se encarrega de criar uma guerra onde tanto ele quanto seu pai morrem na batalha de Monte Baddon. Com a morte de Arthur, Britania é tomada pelos saxões, e posteriormente vira Inglaterra.

Então, essa é a "idílica" história de Camelot. A tragédia da vida de Arthur, e como seu sonho é metódicamente destruido por todos aqueles em quem confia. Com o fim de Arthur, morre um rei, morre um reino, e morrem os ideais do cavaleirismo. É, só isso.

Bom, como estava dizendo, o tal de Projeto Camelot conseguiu o funding que precisava para garantir que seus criadores ficassem passeando por aí entrevistando pessoas, fingindo criar uma nova onda de iluminismo, ou coisa parecida. Não bastasse isso, publicaram vários livros que com certeza tem gente comprando e falando "wow, quanta verdade". Tá, tudo bem, a verdade está lá fora, mas eu não consigo enxergar isso de outra forma que um golpe de marketing que deu certo. 

Querem um projeto legal? Vão olhar o Project Gutenberg, que busca digitalizar todo o conhecimento do planeta para que não se perca. Para quem leu meu post anterior, vejam como há mais de 800 anos a sociedade já discutia separação no casamento por diferenças irreconciliáveis. Tudo isso já existia, e já havia espaço na sociedade para essa discussão. Essa é a verdadeira evolução, olhar para o passado para entender onde queremos ir. Li uma vez que uma sociedade que não conhece seu passado é incapaz de definir seu futuro já que vive apenas o presente, e concordo com essa afirmação.

Então, já que o post não saiu, e após o apoio popular na questão, a partir de hoje o blog ganhou seu próprio Twitter. Claro que não posso me estender nos assuntos como aqui, mas o que podem esperar dos tweets do Camelot or What é comentários curtos sobre a lenda, notícias informais, notificações de novos posts e por aí vai. Digamos que apenas uma extensão ou um adendo do blog na rede social de microblogs mais popular do planeta.

Onde? @CamelotOrWhat, claro.

Até o próximo post!

6 comentários:

Arthur Ferreira disse...

Oi Wally, tudo bom?

No final virou um post informativo. E interessante. Falando nisso eu já estou seguindo o seu blog CamelotOrWhat? no Twitter. A idéia é bem bacana!

Até o próximo post.

Wally disse...

@Arthur, pois é, a idéia do post foi ilustrar a caretice de certas coisas através do exemplo desse tal projeto, e aproveitei para contar o resumo mais azedo da história da internet sobre a lenda arturiana, ou pelo menos da saga principal em volta do Arthur.

Sobre o Twitter, vamos ver como evolui... tenho várias idéias em mente e alguma deve vingar. Valeu pelo apoio!

Renata disse...

Dá raiva ver esse povo que ganha dinheiro com a ingenuidade dos outros... pelo que vc contou, em termos de contribuição social, histórica etc etc eles não saem do zero né? Paciência...
E, putz, que história triste desse Arthur aí hein? hehehehe
Beijos!

Wally disse...

@Rê, dá raiva mesmo... pode procurar pelo site deles e dar uma olhada, mas eu não consegui enxergar a grandiosidade do trabalho deles, ou mesmo vislumbrar o que pretendem com esse circo todo. Ficou parecendo que foram para Tintagel para se maconhar, e bateu a idéia, "pô, vamu fazé uma távola redonda da gente?"

Foi a impressão que ficou... E bom, os contos medievais são assim, mais diretos, mais crus.. ou vai me dizer que já esqueceu da princesa tarada mãe do Glatisant?

Beijo!

Renato disse...

Olá Wally

Acompanho "Camelot Or What" há pouco tempo e ainda não li todos os posts do arquivo. Também gosto do ciclo arturiano. Garimpo a internet há uns bons anos e já encontrei muita coisa boa.
Teu último comentário foi sobre o "Project Camelot" comercial e/ou não histórico, pelo visto. Acho que já deves conhecer o verdadeiro "THE CAMELOT PROJECT" com textos e imagens muito bons. Se for novidade o link fica na Universidade de Rochester (http://www.lib.rochester.edu/camelot/cphome.stm).

Wally disse...

@Renato, não só conheço como falei dele um par de vezes, quando citei fontes. O trabalho das universidades tem sido fundamental como ajuda na hora de escrever alguns textos do blog, ou mesmo como fonte de inspiração.
Obrigado pelo comentário!