Lancelot - O Cavaleiro Da Charrete


Chegou o dia. A pedido do público.



Traição. Intrigas. Mentiras. Sexo. Anões. Não é nenhuma novela nova, e a história do Cavaleiro da charrete.

Quem quiser o roteiro inteiro, é só baixar do projeto Gutenberg, ou em outro site já em HTML. Não digam que não avisei.

A historia de o cavaleiro da charrete não é outra que a de Lancelot e Guinevere, onde é consumada a traição ao rei Arthur, e começam os encontros e desencontros do casal.

Tudo começa com a visita de um cavaleiro armado ao castelo de Camelot, para reclamar para si as terras e pessoas que moravam nas terras que considerava do seu dominio. Este cavaleiro não disse quem era, mas afirmou que ninguém tiraria dele o que tinha ganho. Não havia no reino pessoa valente o bastante para enfrentá-lo.
Ele ainda lançou um desafio: quem acreditasse que poderia vencé-lo devia buscá-lo em uma clareira do bosque perto de Camelot. Quem fosse desafiá-lo, devia levar a rainha Guinevere com ele para disputá-la em justa luta; se o defensor de Camelot ganhar, poderia devolver a rainha ao seu lugar, e voltar com a honra de devolver as terras e pessoas para o rei. Se perder, a rainha iria embora com este cavaleiro desconhecido para suas terras distantes, onde não seria possível resgatá-la.
De forma infantil, o rei concorda com o primeiro tosco que se oferece para tal tarefa, que perde miseravelmente. O otário foi o senescal Kai; pelo menos o sobrinho favorito do rei Arthur, Sir Gawain, foi o único que pensou direito e seguiu Kai, junto com outros cavaleiros.
Infelizmente o grande Gawain não chegou em tempo de salvar Kai. Somente viram o cavalo dele com a sela arrebentada, e manchas de sangue. Outro cavaleiro veio da clareira, correndo no seu cavalo até o fim das forças do animal. Pediu outro cavalo para Gawain, que gentilmente o cedeu dos cavalos que levava com ele; assim que este cavaleiro pegou esta nova montaria, agradeceu, e saiu ao galope novamente. Gawain achou isto tão estranho que decidiu seguí-lo.
Finalmente o achou em uma clareira, hesitando se subia ou não na charrete de um anão; nessa época era uma das maiores desonras ser levado em uma charrete, pois era o transporte onde os condenados a morte eram expostos ao povão antes da execução. A questão é que este cavaleiro não estava no seu juízo fazia mais tempo do que ele lembrava, e após hesitar duas vezes subiu na charrete, com a condição de saber da rainha. Esta oferta foi feita ao Gawain também, mas respondeu que tinha boa montaria, e que seguiria o charreteiro onde ele fosse sem pra isso se humilhar. Lembrem deste fato, é importante para o que virá mais à frente.

Eles chegam a um castelo, onde no dia seguinte puderam ver a rainha sendo levada para terras distantes. O cavaleiro da charrete desfaleceu e tentou se suicidar, mas Gawain o impediu. Gawain e o cavaleiro da charrete seguiram juntos buscando resgatar a rainha, e se separaram em uma encruzilhada do caminho, escolhendo cada um uma senda para chegar até estas terras distantes. Ambos os caminhos levavam a um destino perigoso, enquanto Gawain foi para a passagem pela ponte sob-a-água, o cavaleiro da charrete foi para a passagem pela ponte da espada. Esta ponte era como o gume de uma espada, e dava passagem para as terras do rei Bandemagus.
Mas quem surripiou a rainha não foi Bandemagus; quem fez essa sacanagem foi seu filho Meleagant, um cavaleiro com porte de brucutu e nada gentil. Pelo menos seu pai o impediu de por as mãos na rainha, para não piorar a situação; Bandemagus deu abrigo para a rainha e garantiu que nada lhe faltasse no seu exilio até ser resgatada. Bandemagus era um rei bom e honesto, mas seu filho estragava isso tudo constantemente.

Então, Lancelot, nosso cavaleiro da charrete, superou desafios dos mais variados, sempre com um objetivo em mente: liberar a rainha Guinevere do seu captor, e tirá-la do exilio. Ele foi o primeiro a atravessar a ponte da espada; se feriu gravemente, mas ganhou a admiração e respeito de Bandemagus, quem o ajudou daqui em diante na sua missão. Mas não foi apenas a ponte que Lancelot teve que superar. Foram batalhas, magias, e até teve que resistir a tentação de belas moças bastante dadas (uma delas na verdade até deitou com ele, mas nada aconteceu porque ele não quis).

Teve ele culpa de se apaixonar assim pela rainha? Ele traiu a confiança do seu rei, e o voto de cavaleiro, enquanto a rainha traiu a confiança do seu rei e do seu marido. De fato, não foi uma paixão, entre eles havia amor genuíno. Faz isso ficar diferente o adulterio da rainha? Pode Arthur culpá-la de se apaixonar por outra pessoa? Para deixar a novela mais complicada: seria possível para uma Guinevere amar Arthur e Lancelot, por motivos diferentes? Existe o homem perfeito, ou a mulher perfeita?
Não quero com isso defender ninguém, mas o que mais curto dessa história é a dificultade e o realismo dos personagens para enfrentar dilemas totalmente humanos. Teria sido facílimo para Lancelot possuir qualquer mulher que tivesse vontade de ter; em um torneio conseguiu a façanha de que todas as solteiras desejasem casar com ele, e nenhuma casou nesse ano por causa dele, porque não havia cavaleiro como ele no torneio (olha aí o macho-alfa... né Andrea?). Sendo assim, quem pode culpar a jovem Guinevere de ter se encantado por ele? Mas nisso tudo tanto Lancelot quanto Guinevere nunca são plenamente felizes; a culpa, o remorso e o medo de ser descobertos são seus companheiros constantes.
Primeiro Chrétien, depois Malory, ambos descreveram maravilhosamente os conflitos internos destes dois personagens apaixonados; tudo começa aos poucos, e envolve o leitor ao ponto de não conseguir guardar o livro para depois. Você quer saber o fim, o desenlace da história.

E no que diz aos MEUS leitores... vocês aguentam até a semana que vem para saber o fim da história????? Como eu sou mau as vezes...

Semana que vem: Guinevere entrega sua flor para outro jardineiro!!!!



4 comentários:

Marion disse...

Gosto disso de não colocarem Guivenere e Lancelot como dois sacanas e ponto. É muito simplista condenar quem trai. Tudo pode ser muito complexo, envolvendo amor verdadeiro e muita culpa. Acho que com eles o amor simplesmente aconteceu e foi algo forte que não conseguiram evitar. Ah, e acho sim que se pode amar verdadeiramente mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Mas é algo que não cabe em nossa sociedade.
Eu vou esperar pelo final da história, gosto do seu jeito de contar estas histórias.

Beijos

Pedrita disse...

eu sempre tento lembrar como eram as questões sentimentais nessa época. a posse de terra, casar para segurar um reinado valiam muito mais do que sentimentos. e aí as pessoas tinham amantes, fossem homens ou mulheres, rainha margot mostra bem isso. então acho que essa visão romântica de amor que colocaram no lancelot, acho muito romântica, que veio com shakespeare e o romantismo e acho que é bem distante da realidade. um grande guerreiro, fiel e batalhador, pode ser o homem que deita com a mulher do rei, mas continua fiel e batalhador, acho que separavam melhor essas questões. valia muito mais o guerreiro do que com quem ele se envolvia. beijos, pedrita

Andrea disse...

Nossa, fui citada! Sou chique...é maravilhoso estar perto de machos-alfa genuínos como esses mesmo em nível textual.

Amei o post, Wally! Esses estereótipos de homem e de mulher perfeita povoam até hoje as nossas imaginações.

Eu não gosto muito de fazer julgamento moral das personagens. Elas são lindas em toda a plenitude de seus dilemas.

Estou louca pelo post da semana que vem....essa metáfora da flor promete!

Renata disse...

Se o casamento acontece por interesse, não tem mesmo como garantir a fidelidade, e ela nem deve ser exigida, na minha opinião. É verdade que as realidades dessa época e da nossa são bem diferentes, hoje parece absurdo o relacionamento entre eles, mas não cabe a ninguém julgar (nem antes, nem hoje!). De qualquer maneira, quero ver o fim da história :)
Ah, muito legal o link que me passou, Wally! É uma pena que os cursos não sejam gratuitos! São tentadores :)
Bjos!