Sitiados!!!

Fechou o tempo

Pode parecer estranho, mas acho que as batalhas perderam o romantismo com o surgimento da pólvora em forma de armas de fogo, por assim dizer. Tem até um ditado que diz que "com a invenção da pólvora se acabaram os valentes". Bom, eu acho que as batalhas de fato mudaram por completo, como também as estratégias.

Hoje quero falar da minha visão dos grandes sítios, das batalhas onde um exército se esforçava por invadir uma fortaleza, e onde os soldados guarnecidos nela se esforçavam por defendê-la.

Por fim a noite chegou. Uma hora atrás, a chuva atrasou o trabalho dos engenheiros, que para variar nunca parecem satisfeitos. As vezes, até parece que fosse de propósito.

- Mais para a direita!
- Não está alinhado!
- Não, Não, Não! Seus imbecis! Estão fazendo tudo errado!

Não percebem que apenas estamos seguindo suas instruções. Podíamos simplesmente largar eles sozinhos, mas são um mal necessário, ou não teríamos essas engenhocas.
A principio, achava que eles apenas eram covardes, que era
desonroso lutar sem lutar, mas com o tempo e a idade compreendi que o avanço deles é que faz todo o cerco possível. São eles que arrebentam as muralhas, que incendeiam as ameias, que ameaçam as torres e protegem a gente enquanto chegamos perto do fosso. E são eles que fazem as escadas e os arietes, que no fim das contas nos colocam dentro da fortaleza.

Passamos a tarde inteira erguendo, cortando e amarrando os troncos para dar forma as máquinas de sitio. Parecem monstros que saíram da floresta, com sede de vingança, apontando com raiva para os muros. Ao longe, mal podemos ver a fortaleza se preparando para nos dar as "bem-vindas".

Um cheiro terrível é trazido pelo vento, vindo do fosso. Os deuses não estão do nosso lado, disse um soldado, já que o vento está contra nós. Precisamos carregar mais o contrapeso ou diminuir a munição, o que nunca é bom. E ainda a cidade se livra do cheiro, que vem até aqui, querendo nos expulsar, como bons invasores que somos.

Alguns tocam nervosamente o cabo de suas espadas, rezando silenciosamente. Outros, sentados em roda, ficam em silêncio olhando as chamas crepitando nas fogueiras. Quem já passou por várias guerras, sabe bem como tudo pode virar do avesso a qualquer minuto.

- "Trebuchet"; disse o garoto ao meu lado, apontando ao castelo.
- "Isso é tua mãe." Respondi, sem saber o que ele apontava com esse brilho nos olhos.
- "É francês, senhor. Estou falando daquela torre de madeira, dentro das amuradas".

E o garoto estava certo. Estavam nos esperando. Enquanto nos passamos a tarde inteira preparando as catapultas, o inimigo ergueu seus trebuchets de defesa dentro do castelo. Eram máquinas terríveis, de um alcance muito superior ao que podíamos sonhar com nossas catapultas. Porém, temos a vantagem do movimento, enquanto o trebuchet é fixo. Se fizermos tudo certo, poderemos atingir suas defesas antes de que causem qualquer estrago nas nossas fileiras.

A hora estava chegando. As tropas formando, seguindo as ordens dos grandes senhores. A cavalaria aguardava pacientemente, tranqüilizando os animais mais novos, aqueles que ainda não conheciam o calor da batalha.

Começamos a marchar, para nos coloca
r em posição. Os engenheiros armam suas catapultas com as cargas de 15 quilos, e esticam as cordas ao máximo para medir o alcance.
A madeira e as cordas
gemem. As pessoas se afastam, e o engenheiro manda retirar a trava. O braço sobe violentamente, e lança a rocha pelos ares.
A catapulta inteira treme pelo impacto, e sai do lugar quase três passos. A rocha se projeta alto demais, e não chega nem perto das muralhas.
Mais um ajuste, a trava do braço é posicionada. A tensão é ajustada. E o vento mudou.

A catapulta sacudiu com força, e lançou mais uma rocha. Desceu assobiando, alguns passos após o muro. Nessa hora, soubemos que podíamos vencer.

Nota: Marion sempre me ajuda revisando os textos, buscando coisinhas que errei como bom gringo. Ela disse "vem cá, não vai colocar de que livro tirou isso?". Então, não saiu de livro nenhum. O texto é meu, e é o que gostaria de escrever no Nanowrimo, o dia que decidir participar. Indo mais a fundo, já disse uma vez que pelo jeito vou acabar escrevendo meu próprio livro arturiano. Quem sabe quando fizer 40 anos. Quem gostou, comente!


Trebuchet

O trebuchet é provavelmente o tipo mais antigo de catapulta. Inspirado nas cisternas (usadas para facilitar a coleta de agua em poços e lagos), o trebuchet usa um sistema de contrapesos para lançar objetos à distancia; sua munição mais comum eram rochas, mas não era estranho usar carcaças como munição para desmoralizar os invasores. No exemplo ao lado, é o corpo de um cavalo morto que serve de munição. Nada agradável.




Catapulta

No lugar de contrapesos, a catapulta usa a tensão de cordas para gerar a força que faz o braço subir. De construção mais compacta, a catapulta podia ser carregada, desmontada, transportada em barcos, montada novamente em terra firme e levada por animais de carga como uma carroça. De alcance menor ao dos trebuchets, sua vantagem era a mobilidade e velocidade de construção. Geralmente formavam o grosso da artilharia de sitio, arremessando cargas semelhantes aos trebuchets, e muitas vezes cargas incendiárias.

Ariete

Quase todos os filmes épicos tem um exemplo de ariete; um tronco de árvore suspenso em uma estrutura que é levada até o muro ou os portões da fortaleza, que balançada pela força de vários homens gerava um golpe maciço, concentrado em um único ponto, com a intenção de abrir uma brecha. O problema do ariete é que ficava do lado o muro, portanto os defensores jogavam banha quente, rochas e oleo acesso nos invasores. O ariete possuía um teto coberto geralmente com couro, para proteger seus operários, mas dependia muito do apoio externo (arqueiros e catapultas) para chegar perto e concluir seu trabalho.


Flecha-Foguete

No fim, vai uma arma que nunca existiu, mas que poderia ter definido o rumo das batalhas medievais: A Flecha-foguete.

Die, n00b!!! LOL!!



DIY

Ainda vou fazer um trebuchet em escala; quando fizer isso vou postar fotos e vídeos do troço em ação. Enquanto isso, quem quiser se adiantar, pode consultar estes sites:

http://www.redstoneprojects.com/trebuchetstore/treb_plans_1_1.html

http://www.knightforhire.com/catapult.htm

http://www.trebuchet.com

Para quem quer fazer da construção de trebuchets uma profissão de respeito, vão os links com as ferramentas:

http://www.algobeautytreb.com/

Vai que algum dia você precisa sitiar um castelo? Se for essa a situação, não saia de casa sem ter lido este howto da Universidade de Queens:

http://educ.queensu.ca/~fmc/march2005/siege.html

E quem quer apenas brincar, vai um jogo online muito legal para entender as forças que afetam uma catapulta.

http://www.forgefx.com/casestudies/prenticehall/ph/catapult/catapult.htm


Até a semana que vem, e boa diversão!!!

4 comentários:

Pedrita disse...

não sei, acho que as lutas e as guerras são ruins em qualquer período. acho que é o distanciamento que faz tolerarmos mais conflitos do passado. beijos, pedrita

Marion disse...

Amor, fico pensando que pe meio nonsense existir estes sites com tuturials para construção deste tipo de equipamento. Quem vai usar um troço destes hoje em dia? A não ser que queira um enfeite diferente para colocar no quintal!
Ah, gostei mesmo da sua pequena história! Espero que dê prosseguimento à ela. Ah, gostei das imagens!

Beijinhos

Renata disse...

Eu acho que lutas e guerras são dispensáveis em qualquer situação, mas confesso que as batalhas antigas me impressionam exatamente pelo fato de exigirem muita coragem. Concordo 100% com você, a pólvora tornou as batalhas cada vez mais covardes, afinal nem precisa chegar perto pra matar o outro. Se tem que ter guerra, quem guerreia deve, no mínimo, mostrar-se corajoso.
Eu adoraria ter uma miniatura dessas em casa =) Mas não tenho o menor jeito pra construir um negócio desses.
E o seu texto ficou ótimo, o tempo todo eu esperava ver no final a bibliografia =) Espero que você leve adiante a idéia de escrever seu livro, seja no NanoWrimo ou não, com certeza pelo menos uma leitora garantida já tem =)
Beijos!

Andrea disse...

hmmmm...catapultar alunos, provas...ô tentação...