Ao infinito, e além!

Para os que me conhecem fora do blog, sabem que também curto muito ciência-ficção espacial, videogames e seriados. Quando estas paixões se encontram (como na fantástica saga do Mass Effect, ou no seriados Battlestar Galactica e o novíssimo Pioneer One) eu viro fã de carteirinha em um instante.

Fiz uma descoberta este fim de semana totalmente por acaso, que junta praticamente tudo o que curto ao mesmo tempo, e achei pela mais pura casualidade. A história começa com uma visita aos sites da Disney e da Universal, fazendo planos para ir a Orlando nas férias. Entre outras coisas, inclui no roteiro o Medieval Times (óbvio.. imagina se ia perder isso), e o Cape Canaveral, famoso centro da NASA que inclui um centro para turistas com muitas atrações. 

Entre um click e outro enquanto buscava informação sobre o centro de visitas da NASA, cai em um nome que não podia ignorar. Na seção Commercial Space Transportation, tinha esta noticia:


 Excalibur? Tem um projeto na NASA chamado Excalibur? E ainda envolve exploração comercial do espaço? Era um prato cheio na minha frente, e comecei a ler. O tal de CCP é o Commercial Crew Program, projeto americano para financiar a exploração civil / comercial do espaço, o que logicamente pode trazer a renda que a humanidade precisa para continuar sua pesquisa espacial. Digamos, se os governos não destinam dinheiro para essa pesquisa, então cabe aos sonhadores e visionarios que por iniciativa particular podem financiar esses sonhos participar desse grande projeto. Assim, a NASA colocou um pé dentro da história toda, mantendo o interesse militar e governamental que sempre teve mas deixando claro que seu interesse é aportar sua experiência para avançar mais rápido e no rumo certo. Até aqui, o que me veio na mente foi o jogo Mass Effect, onde boa parte do jogo mostra esse lado de exploração comercial. Mas, onde entra Excalibur?

O buraco é mais em baixo.
Aqui que o negócio toma um rumo completamente diferente. Durante a Guerra Fria, a União Sovietica levantou uma questão sobre o uso do espaço para fins militares lá em 1964, e desta discussão saiu o projeto do OPS (Orbital Piloted Station, ou estação pilotada em órbita), e teria o codinome "Almaz" (Diamante em russo). Este projeto super secreto era a resposta ao MOL americano (Manned Orbiting Laboratory). Durante a maior parte dos 60´s, o Almaz ficou relegado a segundo plano, já que o interesse era ganhar a corrida espacial até a Lua. Entre outras intrigas, um rival do dono do projeto do Almaz entrou com outro projeto de uma estação espacial pilotada, mas finalmente em 73 o Almaz colocou seu primeiro objeto em órbita, o OPS-1. O projeto era secreto mesmo entre os militares da CCCP, e se referiam ao objeto em órbita como Salyut-2, para não dar bandeira. Mas, um acidente não explicado deixou o OPS-1 inoperante e despresurizado, abortando a viagem de cosmonautas para seu interior. Em 74, o OPS-2 entrou em órbita também com um falso nome (Salyut-3), e a tripulação do Soyuz-14 passou 15 dias em órbita dentro dele. O Salyut-3 foi desativado e colocado fora de órbita em 75. Outras missões aconteceram e novos módulos entraram em órbita, mas finalmente em 78 o governo sovietico matou oficialmente o desenvolvimento de estações tripuladas. O Almaz teve um downgrade, onde os módulos viraram satélites pesados de comunicações (não tripulados, claro). Décadas depois, a capacidade de telemetria e fotografia do Almaz o tornou interessante como projeto para venda comercial; ou seja, era um bom satélite para uso civil. Embora isto não aconteceu, a divulgação da existência do Almaz despertou o interesse de um empreendedor americano, que pensou no Almaz como um meio levar pessoas comuns para o espaço, e viver a experiência da vida em órbita: surgia assim o Almaz-Excalibur. Para que não digam que estou inventando tudo, as fontes são o site Russian Space Web, a reportagem no mesmo site sobre o projeto e o próprio Excalibur Almaz. Apenas como comentário para se orientar melhor nas datas, a estação MIR teve seu primeiro módulo em órbita somente em 1986, e foi decomissionada 15 anos depois, em 2001.

Enquanto lia esse lance todo do projeto secreto da CCCP, foi inevitável a comparação com o seriado Pioneer One, disponível somente online (é, não passa em nenhuma TV!), e cujo episodio final de temporada está previsto para o 13 de dezembro deste ano. Nesse seriado, o roteiro também gira em torno de um projeto secreto da CCCP no meio da corrida espacial, mas não posso contar mais para não estragar o mistério. 

O que não consegui descobrir é por quê chamaram o projeto de Excalibur. É a força do nome, ou tem alguma referência escondida, escura e supersecreta? Quem ficou com a pulga atrás da orelha nem que eu, me ajude a descobrir! 


Até o próximo post!

2 comentários:

Renata disse...

Muito interessante! Quando eu era criança, adorava astronomia. Na época a Superinteressante era bem mais "científica" e falava muito sobre o assunto, eu devorava.
Acho que Excalibur é um nome forte e aparece muito por aí fora de contexto, mas não sei se esse tipo de projeto levaria um nome simplesmente por ele ser "forte"... pelo menos espero que seja algo mais profundo do que isso :)
Beijos!

Wally disse...

@Rê, você é um pouco mais nova do que eu, e não sei se chegou a assistir isso. Conhece a minisérie "Cosmos", do Carl Sagan? Na minha opinião, é um verdadeiro alicerce da cosmologia popular. Foi um seriado científico, muito bem apresentado e rico em informações. Lembro que a primeira vez que vi (isso na minha infância) foi tão marcante que lembro de cenas e falas do seriado até hoje. Se não viu não perca a oportunidade de vê-lo, mesmo sendo muito datado e com informações que já estão ultrapassadas.

Obrigado pelo comentário!