About: Me

Semana diferente, post diferente. Hoje vou falar de como virei um "arturólogo", no sentido da coisa.

Wally e Sua Vida



Janeiro de 1999. Eis que chego no Brasil, com a idéia de ficar por aqui uns 3 anos, a trabalho. Todas minhas decisões sobre que apartamento alugar, que carro comprar e o que comprar para mim ou o apê onde morava eram baseadas nessa perspectiva, tudo muito pé no chão.

Meus começos na vida de solteiro independente foram muito bem sucedidos; me virei sem problemas na cozinha, cuidando das minhas roupas e demais faxina da casa. Tudo nos conformes.
Até então, toda minha formação era profissional, portanto todo o material que caia nas minhas mãos para leitura era sempre orientado a tecnologia. Eu não sei exatamente em que momento desse mesmo ano que tive uma percepção interessante. Percebi que tinha me especializado muito em coisas como tecnologia, programação, informática, eletrônica, mas nunca tinha cuidado de outros aspectos. Era um completo ignorante sobre outros assuntos, o que me tornava uma pessoa sem muito assunto :-)
Pensei, dentro do meu lado racional:

"Pessoas como Arquimedes, Pitágoras, Da Vinci, Galileo, todos eles foram grandes gênios da engenharia. Engenheiros não são populares. O que fez deles serem lembrados até hoje, além de suas descobertas?"

Percebi que além de uma mente brilhante, eles deram conteúdo e espaço nas suas mentes tanto para as ciencias exatas como as humanísticas. Da Vinci fez pesquisas admiraveis sobre o voo, mecânica e matemática, e ao mesmo tempo pintou a MonaLisa. Galileu, além de falar que a terra girava em torno do Sol (o que faz dele um astrônomo respeitabilíssimo), foi um dos maiores religiosos da sua época. Fatos semelhantes aconteceram com todos os grandes nomes das ciencias exatas. Eu posso não ser um gênio, mas percebi um fator comum que decidi colocar na minha vida também. Decidi alimentar meu lado humanístico.

O problema clássico era que leitura realmente não era uma as minhas paixões, nem de perto. Então, mais uma vez pensando analiticamente (que era meu único jeito de pensar) disse para mim mesmo que precisava encontrar um assunto que me atraísse por merito proprio, que me despertasse curiosidade ao ponto de merecer pesquisar por ele. Depois de boiar um pouco mentalmente, percebi que a idade média me chamava particularmente a atenção. O cavaleirismo especialmente. O fato de fazer dos cavaleiros pessoas respeitadas e admiradas era sua devoção e desprendimento para ajudar os outros, empreender em buscas épicas, e logicamente, ganhar a atenção das damiselas (afinal, ninguém veio ao mundo a passeio...).

Qual é o exemplo mais popular, mais conhecido e grandioso da arte da cavalaria na idade média? Chegamos no assunto. Ia pesquisar a lenda arturiana.

Meu primeiro livro me desapontou bastante, não por ser ruim, mas por vir com a descrição "texto para jovens". Além de brega, cafona e antiquado, tinha apenas 86 páginas. Eu sabia que tinha que ter mais, uma lenda que perdura até hoje não se condensa a tão pouco. Ainda assim, era a única coisa que consegui na epoca, com meu pobre conhecimento de autores. Cai num quase caderninho contando um resumão da lenda, baseado no texto de Thomas Malory, o que no fim foi bastante bom por me dar não somente o nome do autor, como uma visão geral de onde estava entrando. Hoje posso dizer que esse livrinho serve quase que como índice da viagem que veio depois. Foi através de Malory que conheci Chretien de Troyes, que me levou para Geoffrey de Monmount.
Coincidentemente, poucos anos depois percebi que entrei no mar no momento que o mar estava crescendo. Um interesse súbito surgiu no mundo inteiro sobre o Rei Arthur, e ocasionou novas pesquisas que mudaram por completo a visão do mundo. Arthur não era mais um rei medieval; ele virou um general romano no século 5, que comandou os bretões para manter os invasores saxões abaixo da linha imposta pela muralha de Alexandre. Isso rendeu até filmes, mas o verdadeiro triunfo dessa historia foi inspirar autores como Bernard Cornwell a escrever sua trilogia sobre o Arthur. Uma novela que merecia uma minisérie, como já aconteceu com seus textos sobre um soldado inglês de nome Richard Sharpe.
Minha admiração por autores me levou a ler outros trabalhos, não mais vinculados somente à lenda arturiana, mas não por isso menos interessantes. Meu lado humanístico tinha acordado para a vida.
Meu blog começou faz pouco tempo, com a consciência vida da observação de que muitos blogs não seguem a linha do "meu pequeno diário de segredos adolescentes", mas aproveitam a facilidade de uma interface amigável para colocar conteúdo de muito valor cultural. Opiniões divergentes geravam debates muito mais maduros do que as idiotices que me levaram a aborrecer o Orkut eu suas comunidades sem sentido. Ainda assim, o mérito do Orkut é divulgar blogs e localizar pessoas com interesses parecidos, mas foi-se a época na que compensava dedicar um tempo a ele. O ponto de encontro do momento são os blogs (ao contrario do que todos os jogadores de Second Life afirmam).
Namorei a idéia de criar um site ou blogar ao respeito das lendas arturianas quando percebi como todo o conhecimento que ganhei nesses anos estava espalhado. Era uma idéia bem interessante escrever tudo em um lugar só, e poder vincular uma história com a outra, dando no fim uma amarração coerente na historia toda. Assim, depois de um tempo olhando a evolução da web para o que conhecemos hoje, que decidi começar com Camelot or What, e até agora, posso me considerar um blogger satisfeito com o resultado.


O que tem um peso enorme neste blog e que o diferencia de outros é o esforço de pesquisa em meios variados para dar uma visão geral do assunto, sem cair na armadilha de escrever um monte de chatice. Quero trazer a lenda arturiana de maneira leve, que sirva como entretenimento nas horas vagas de quem cai no blog, seja por acaso ou indicação. Logicamente, o maior elogio que um blog pode receber, e ver comentários aparecendo e visitas se repetindo. Isso empolga, e faz deixar de lado qualquer preguiça.
Aos que tem blog, vai a pergunta: como começaram seus blogs?

6 comentários:

Marion disse...

Amor, Adorei este post! Eu mesma não sabia como tinha começado esta sua paixão pelo mundo do Rei Arthur. Quando a gente se conheceu você já era um "arturólogo".
É mesmo empolgante quando notamos que as pessoas se interessam pelo que escrevemos. É um grande incentivo para continuar a postar mesmo quando estamos cansados.
Bom, eu comecei o meu blog por curiosidade mesmo. Para saber o que era ter um blog. O começo foi bem rídiculo até, pois nem sabia o que escrever. Depois com o tempo o blog foi ganhando seu estilo e comecei a ter uma grande estima por ele e pelos meus leitores. Hoje não vivo sem! E fico muito feliz em ver você fazer um blog tão legal!
Beijão !

Pedrita disse...

bravo, descobrir que não tinha muito assunto e ver que a vida estava limitada ao campo profissional e buscar um hobby é genial. raramente as pessoas fazem isso e acabo adquirindo doenças de stress por não diversificar e fazer a vida ficar mais chata e limitada do que poderia realmente ser. acho muito bacana curtirmos algo e aproveitarmos todas as suas possibilidades. o blog é uma delas. o meu surgiu mais ou menos assim. eu chegava em casa ávida pra falar exaustivamente o que culturalmente eu tinha presenciado. só as paredes me ouviam, ou os amigos se cansavam da quantidade de assuntos variados. aí o blog resolveu isso. quem gosta de música comenta sobre música, literatura..., cinema..., etc. deixei de aborrecer os amigos com assuntos do meu universo e atrair pessoas especificamente sobre os assuntos do interesse deles. comecei a dialogar mais sobre os assuntos, tem com quem falar sem cansá-los e dividir melhor as maravilhas que desvendava. foi uma das melhores coisas que me aconteceu e meus amigos agradecem hehe. beijos, pedrita

Andrea disse...

Hahaha...que romãntica a referência no subtítulo e que interessante o seu processo de amadurecimento humanístico.

Eu sempre gostei muito de escrever e vivia dando pitaco nas comunidades do Orkut, cujos fóruns foram morrendo com o tempo à medida que aumantavam a quantidade de linhas nos meus comentários a blogs alheios.

Foi natural criar meu próprio espaço.

Bjs

Renata disse...

Que legal que seu hobby perdurou, mesmo não surgindo espontaneamente, como eu sempre imaginei que hobbies surgiam =) Eu não saberia dizer um assunto que gosto e entendo bem - gosto de muita coisa, mas não tenho um conhecimento profundo de nenhuma, eu acho. Quem sabe resolvendo estudar mais, algo se desenvolva.
Meu blog começou nem lembro bem porque, já que eu não gostava de blogs (e mesmo depois disso, demorei a gostar). Acho que era mais uma tentativa de escrever e ser lida - e isso tambem demorou a acontecer. Ainda bem que nao desisti e tenho colhido frutos legais (modestos, mas legais) com meu blog =)

Ana disse...

Comigo foi parte por tédio, parte por gostar de escrever e não ter por onde escoar essa minha vontade. Aí um amigo criou um blog, soube que outra amiga tinha, e fiz mais pra trocar idéia com os dois. Aos poucos a coisa, que quase morreu, começou a crescer, e hoje sinto muita falta do blog se preciso ficar longe...

Marion disse...

Amor, Feliz Blog Day!!!

Que seu blog tenha muitos e muitos anos de vida !

Beijos da sua leitora número 1!