It's coming...

O fim do ano se aproxima, e com isso as compras natalinas. As lojas e vitrines ficam cheias de coisinhas interessantes e bacanas, e no que me diz respeito, curto bastante as novidades de fim de ano. Especialmente ao falar dos novos lançamentos de games.

Para os que curtem coisas medievais, a Bioware está lançando um jogo monstruoso, gigantesco, mega-épico e no tom dos Baldur Gate. Este novo jogo é o Dragon Age: Origins, e promete ser sangrento, cru, violento, cruel como os próprios tempos medievais. Já estou na espera para ter minha cópia... Acho sensacionais os jogos da Bioware. Eles criam mundos muito ricos, tem muita coisa para explorar. É particularmente imersivo. Nada disso de joguinho para criança, é entretenimento de alto nível, como um bom filme ou um seriado bem feitos.

Mas tem outra novidade quente: lembram do post de jogos arturianos? Então, parece que finalmente vai lançar o King Arthur. A data prevista de lançamento para download é 24 de Novembro. As telas prometem! Vamos ver qual vai ser o preço final para download. Provavelmente compre o jogo pelo Steam, é uma plataforma excelente para compra online no PC.

Como se isso não bastasse, a famosíssima saga Dungeons & Dragons lançou um jogo GRATUITO. Faz muito tempo que não vejo isso. A idéia é que você baixa, joga, e se gostar paga por conteúdo adicional, mas não é obrigado a comprar nada para jogar com seus amigos online. Achei muito, muito legal essa idéia. A Microsoft deveria aprender um par de coisas com esses caras quando lançou a Live. E espero que a Blizzard volte às origens com o Diablo 3, permitindo que a gente brinque online no battle.net sem ter que pagar nada além do jogo. Tá aí o desabafo!

No momento estou jogando Torchlight, jogo feito pela turma que sobrou da Flagship Studios depois que faliram ao fazer o Hellgate: London. Contando um pouco de história, a Flagship era a turma da Blizzard North, que acabou brigando com a matriz e caindo fora. Nela estavam desenvolvedores do primeiro Diablo, e no fim a Blizzard acabou lançando o Diablo 2 sem eles.

Foi uma pena ver como um jogo tão promissor e bacana como o Hellgate (que fiz questão de comprar original e ter caixinha e mapa) acabou levando os caras à ruina. A idéia do online deles não deu certo, infelizmente. E os que compramos o jogo ficamos com um game bugado, onde alguns bichos ficam presos nas paredes e um par de missões podem travar o jogo inteiro se não são seguidas em determinada ordem.

Mas voltando ao Torchlight, é um joguinho que roda até em netbooks, e traz tudo o que o Diablo original tinha de bom: ação, ação, e mais ação. Uma maré de inimigos chovendo em volta, e em poucos segundos a gente fica clicando feito louco, jogando todo tipo de magias para ver se é possível sobreviver. O jogo é quase que uma homenagem ao Diablo (o jogo, tá?), ao ponto que escalaram o Matt Uelmen para fazer as músicas. Quem no lembra de cabeça as primeiras notas da música da cidade de Tristam? A herança do trabalho anterior dessa turma é inegável. Vale a pena, é pequeno de baixar e baratinho. Quem quiser testar antes de comprar, pode baixar a demo no mesmo site.

Bom, chega de falar, vou jogar um pouco! Até a semana que vem!

Medieval Madness

Tá, é um post preguiça. Mas com esse calor não consigo nem pensar direito, quanto menos blogar! Vamos falar de novo como o período medieval é influente, e como pode ser divertido. E do meu encontro inusitado com o Merlin.

Semana passada comentei que estava jogando pinball. Não que tenha ido até um fliperama, mas tive uma fase de jogar bastante nos flippers, entender o roteiro dos jogos e tal. Entre minhas grandes paixões está a mesa do Star Wars Trilogy, uma mesa interessante, cheia de rampas e seqüencias divertidas.

Joguei bastante nos emuladores de PC também, e a última vez foi com emuladores de mesas oficiais (ou seja, as que simulam mesas de pinball reais). Estes emuladores tem a tarefa de interpretar a física das mesas, como o ângulo de inclinação e força dos mecanismos, enquanto outros softwares rodam paralelamente a inteligência da mesa, como quais luzes acender, quais travas acionar, como contabilizar pontos e quais graças fazer no display digital. Isso é possível usando o Virtual Pinball para a parte física, e o vpinmame para a lógica eletrônica. Quem tiver interesse, pode procurar no google por esses termos e gastar um par de horas para configurar os softwares até rodar adequadamente. Quem já brincou com emulação não vai ter maiores dificuldades em configurar as mesas.

Recentemente a Williams (uma das maiores fabricantes de mesas) lançou o Williams Pinball Hall of Fame, um videogame que traz o clima das casas de fliperama. Nesse jogo entramos com um punhado de moedas na mão para escolher a mesa onde jogar, e tem todos os clássicos licenciados pela própria Williams. A emulação é muito precisa, com todos os efeitos de luzes, som e a física presentes nas mesas de verdade. Foi jogando neste jogo que me reencontrei com uma mesa fantástica, divertidíssima e viciante: Medieval Madness!



Esta mesa foi lançada em 1997 seguindo um layout semelhante ao da Attack from Mars, e por ser do mesmo criador também segue o mesmo tom hilário nos desenhos e comentários. É uma tiração de sarro constante, como o fato da donzela da torre ser gorda e reclamar que está com fome, a catapulta que joga até vacas e as piadas espalhadas nos desenhos que enfeitam a mesa.

Tem um monte de fotos bacanas da mesa no site pinball database, e mais detalhes na página oficial da Williams e no Wiki, claro. Hoje em dia, uma mesa dessas em bom estado pode passar dos 10.000 dólares! Quando foi lançada, custava por volta de 3.000 dólares. A mesa é tão popular que até hoje são vendidas peças fabricadas por terceiros para consertar o que estraga, como as cabeças dos trolls e algumas travas de rampa como a da casinha do Merlin.

Vou terminar o post com um vídeo que achei muito legal: o vídeo promocional da própria Williams. Nesse vídeo vemos alguns detalhes do jogo bem de perto, e explica até o roteiro do jogo.



Ficaram com vontade? Vão encontrar esta mesa e mais um monte no jogo da Williams, disponível para Wii, PS2, PS3, x360... e baratinho!

Para quem tiver a grana, o espaço e tempo necessários, podem encarar a idéia de comprar uma mesa de verdade, bem zuada, e consertar. Vejam só que legal o trabalho de um apaixonado para consertar uma MM durante dois anos neste blog. Achei o máximo! Quem estiver precisando peças, podem achar na Marco Specialities. Eita hobby caro...

Até a semana que vem!

Hallowhat?

Olá seguidores do Camelot! Como já sabem, neste final de semana ocorreu Halloween, o tal do dia das bruxas. O termo Halloween é na verdade uma inflexão da expressão All Hallows Eve, ou data de todos os santos (aqui conhecido como dia de finados). Coincidência ou não, por volta do 31 de Outubro os druidas celtas (ou celtas druidas?) celebravam seu Samhain, o final do verão, um dos mais importantes Sabbats (embora os sites cristãos aleguem que era uma festinha sem importância, claro). Era o fim do ano, o Reveillon deles por assim dizer. A festa oposta era o começo do verão, as festas de Beltane, exatos seis meses antes. Essas sim eram de arrebentar, ao menos é o que dona Marion Zimmer Bradley nos conta na sua saga de Avalon.

No calendário Wicca, Samhain representa Outubro, enquanto Beltane representa Maio. Não que isso tenha muito que ver com nada, mas já que estamos falando do lado pagão da coisa achei interessante mencionar. Por comentar outro fato curioso, Samhain em Galês da Irlanda é Novembro, enquanto Samhuin em Galês da Escocia é All Hallows (todos os santos).

A celebração de finados (ou todos os santos) é mérito da Igreja Catôlica: Por decisão do Papa Gregorio III a data passou do 13 de Maio para o 1 de Novembro, e posteriormente o Papa Gregorio IV declarou a data universal, ou seja celebrada no mundo todo. Daí a ter crianças mendigando doces ou aprontando, tricotar uma abóbora ou povo fantasiado de monstro há um longo caminho...

Aqui no Brasil não há comemoração de Halloween, salvo no restaurante T.G.I. Friday's e nas escolas de Inglês.

O que isso tem a ver com Camelot? Ou com Arthur? O mesmo com o periodo medieval? Nada, mas como a data é feriado e a cidade está deserta não espero que muita gente se preocupe em ler um post mais caprichoso, por assim dizer. O que posso contar sobre Arthur nesta semana é que encontrei o Merlin onde menos esperava: Na mesa de pinball Medieval Madness da Williams.

Bom final de semana, e bom feriado!
And remember your dead beloved ones!

O Cavaleiro Errante

Sobre o post da semana passada, o Arthur tinha razão; o quadro está em exibição na galeria Tate, o museu de arte contemporânea e britânica em Londres. A pelada anônima está aí apenas para representar o tipo de aventura que um cavaleiro errante encontrava; as pinturas do John Everett Millais sempre apresentam mulheres, e procuram um tom realista nas cores e formas, figura comum nos quadros de 1800.

O cavaleiro errante do quadro é anônimo. Poderia ser qualquer um, já que na definição, o cavaleiro errante viaja procurando aventuras, desafios, encrencas onde se enfiar para provar sua valentia e mostrar para sim mesmo que é um bom cavaleiro, fiel aos princípios da cavalaria. Isso inclui enfrentar monstros, salvar damiselas, ajudar quem precisa, mas sempre apontando para o lado justo da coisa. Nos tempos idílicos da cavalaria, a coisa era bem preto no branco, o bem e o mal não se misturavam. Claro, só nos livros. Faz bem ter ideais, né?

Errar é humano, é o que diz o refrão. Mas errar, na essência, não é equivocar-se. O termo errar do cavaleiro é vagar sem rumo, sem um destino. Claro, isso pode levar a caminhos errados, mas esse é outro assunto.

O exemplo clássico e ERRADO de cavaleiro errante é o Lancelot. Ele não é precisamente um cavaleiro errante, já que tem seu lugar fixo e garantido na corte do Rei Arthur; ele parte para as aventuras geralmente por causas que geralmente envolvem a própria corte, como quando Meleagrant levou Guinevere. Ele passa por aventuras, mas tem um propósito maior.

Um exemplo de cavaleiro errante CORRETO (no meu ponto de vista, claro) é o Perceval, que viu um cavaleiro quando criança e decide que quer ser como eles, e sai por aí "cavaleirando" a beça. Um exemplo mais aceito academicamente falando é o do Ivain, o cavaleiro do Leão. O conto do Ivain começa com ele já na floresta, perguntando o que tem pra fazer de bom por essas terras. Esse sim é um caso típico de cavaleiro desempregado, buscando o que fazer para provar para sim mesmo que é bom cavaleiro. A imagem ao lado pertence ao conto de Yvain do Chrétien de Troyes, e mostra nosso herói e seu leão amiguinho acabando com a raça do gigante Harpin. Cliquem no quadro ao lado para ver maior, é bem legal!

Gostaram da brincadeira da semana passada? Obrigado por participarem!

Até a semana que vem!

Apelando

Considerando o volume de visitas do último pseudo-post, decidi apelar. Digamos que a tal de inspiração não veio me visitar neste final de semana, e por isso vou ver se pelo menos consigo inspirar outros.

Como de costume, no blog coloco fotos de quadros e imagens antigas. Tem uma imagem que encontrei por acaso, e tem tudo a ver com o post que pretendia escrever, ou quase.

Vai a proposta: adivinhar o nome do quadro que ilustra o post e seu autor. Caso ninguém adivinhe logo de cara, vou largar uma pista no meio da semana, e conforme ninguém adivinhar vou publicando outras. Vamos a ver se assim consigo agitar os comentários!

Quem quiser ou preferir, largue seus comentários e idéias no facebook do blog (link), por onde aviso aos fans sobre novos posts.

Então, segue a imagem totalmente apelativa:


Wow... uma mulher peladona e amarrada numa árvore no meio da estrada... que houve com ela? Quem é ele? Quem sabe ou arrisca?

Participem!!!

Semana que vem: a resposta e post novo!

Err...


Vou perguntar assim, com a mesma cara de confuso do cavaleiro... Posso postar depois do feriado?

O túmulo de Arthur

Hoje vou contar uma lenda dentro da lenda. Quero compartilhar com vocês a história da cruz do Rei Arthur, e do seu túmulo em Glastonbury.

Segundo os textos de Gerald de Wales, o Rei Henry II enviou uma mensagem para os monges de Glastonbury pouco antes da sua morte em 1189, especificando o local do túmulo do Rei Arthur. Ele teria obtido esta informação de um bardo galés.

Os monges escavaram no cemitério da abadia (supostamente baseados nesta informação do Henry II), e encontraram um tronco de árvore esvaziado que abrigava dois corpos. Tiveram que cavar uns 5 metros até achar os corpos, mas o que chamou a atenção foi uma placa de pedra tombada, encontrada por volta dos 2 metros de profundidade. Esta placa aparentava ter ficado em pé, e caído para sua frente. Ao virar a placa, viram pregada nela uma cruz de chumbo, com a inscrição:

HIC JACET SEPULTUS INCLYTUS REX ARTHURUS IN INSULA AVALONIA

É. Aqui jaz sepultado o ilustre (famoso, renomado) Rei Arthur na Ilha de Avalon. Quem estava com ele no túmulo? Guinevere.

Houve várias outras versões da história após ésta, com maior ou menor grau de detalhes. Há pelo menos 5 versões diferentes do texto da cruz, só para dar uma idéia. Esta inconsistência nos leva a pensar em uma coisa só: foi blefe. Mas, quem faria isso? E por quê?

Segundo os historiadores, tudo pode ter começado nas mãos dos monges de Glastonbury. Razões não faltavam:

- A igreja da abadia, provavelmente a maior e mais gloriosa que já houve na Inglaterra, foi destruída em um incêndio em 1184, menos de 5 anos antes da descoberta.

- A grande atração dos peregrinos, a antiga igreja (datada de séculos antes da abadia), também sucumbiu no incêndio.

- O maior benfeitor da igreja era Henry II (agora falecido), e o novo rei, Richard, estava muito mais interessado em gastar seu ouro nas cruzadas do que na abadia.

Como já contei em outras ocasiões, a lenda diz que Arthur não morreu. Para nós é fácil desconsiderar essa história, mas a sociedade do século 12 era muito crédula, e apegada a cultura popular, lendas e crendices. O mais surpreendente é que ninguém, em momento algum, tenha proclamado ter achado o túmulo, mesmo em uma lenda que já datava de 7 séculos (se consideramos o Arthur histórico, textos de Gildas e etc.).

Sabendo desta necessidade imediata de dinheiro, a morte do benfeitor e a índole duvidosa dos monges para fazer o que eles achavam uma boa causa, não requer muito esforço para sacar que de fato tudo pode ser armação. Mas, se essa fosse a situação, os monges teriam pronta uma campanha de propaganda para aumentar o fluxo de visitas; mas o que vemos na história é uma sucessão de revisões, e até de mudanças no texto da cruz. Na última delas, até diz que está enterrado com sua segunda esposa Guinevere. Os monges teriam feito que todos contassem a mesma história, não é?

O fato é que não ocorreu a tal publicidade extra, nem tampouco há registro de mais visitas na abadia, ou da mesma ser mais importante depois da descoberta. Glastonbury simplesmente continuou sendo o que era, uma abadia.

Os corpos foram colocados em outro túmulo, dentro da nova Igreja da Nossa Senhora, terminada 1186. Depois da descoberta em 1190, nada se falou da descoberta ou dos corpos até 1278, quando Edward I quis dar um espaço mais apropriado, fazendo um altar e caixão de mármore, sob o grande altar, com a cruz exposta para que todos pudessem vê-la.

Nada se soube dos corpos, mas provavelmente não sobraram da destruição ocasionada na dissolução da abadia nas mãos de Henry VIII em 1539. Misteriosamente, a cruz conseguiu sobreviver, e chegou a aparecer descrita e ilustrada na livro de história britânica por William Camden em 1607. A última informação sobre a cruz é de começos do século 18, nas mãos de William Hughes, oficial da catedral de Gales.

De lá pra cá, ocorreram numerosos casos de pessoas falando que acharam a cruz, mas todos se provaram farsas. Um dos mais recentes é de 1981, durante a dragagem de um lago em Middlesex, perpetrada por um ex-membro da sociedade de cultura britânica.

A cruz original era verdadeira? Provavelmente nunca saberemos. Mas que deu que falar, ah se deu...

Nota: Este texto foi baseado na informação publicada pelo British History Club.

Até a semana que vem!