Antes que fiquem tristes (ou contentes, depende), os posts sobre filmes NÃO acabaram. Mas devem entrar em pausa um pouco, até ter tempo de novo de rever os filmes, livros e material para escrever os posts do jeito que gosto. Não quero escrever por escrever, se é que me entendem. Sou exigente comigo mesmo, e o resultado transparece em muitos e muitos posts que apareceram por aqui ao longo desse tempo, e a prova são as mais de 15000 visitas até hoje.
Antes de contar o que tenho pra dizer hoje, quero agradecer à Mara Sop por ter achado esta preciosidade. Sem a colaboração dela provavelmente este achado nem teria passado pelo blog... Obrigado!!!
Ele Está Entre Nós
O senhor acima não é o Inri Cristo, mesmo com as semelhanças visuais e teológicas. Este homem, nascido em 1954 e batizado como John Rotwell, é o Rei Artur reincarnado. Pelo menos, é o que ele conta pra gente. Deixa explicar direito, ou quase:
Eis que ele estava nos idos 1976 fazendo vai saber o quê em Stonehenge, e segundo ele recebeu uma revelação divina, contando que na verdade sua alma era a do rei Artur, e essa revelação só podia acontecer em Salibury, no círculo de pedras. Gostaria de lembrar a vocês que isto NÃO é ficção... ao menos para ele.
Eu imagino o afastado, o ermo que era o local onde estavam as pedras em 1976. A falta de qualquer coisa perto. A magia de um lugar tão antigo. A quantidade de hippies que não deviam se juntar para "viajar" juntos, nesse umbigo do passado. Imaginem o tiozinho acima de faixa elástica arco-íris na cabeça, regata colorida com os pêlos do peito querendo fugir dessa roupa por todas as bordas. O cabelo e a barba encardidos, a fragrância de mais um monte de gente sem banho. As baforadas verdes no ar, combinando com a grama do curto verão inglês. E surge o diálogo.
- John, saca só... - ... - John... - Soooôôô... - Chapa, tá tudo bem? - Bixo... eu vi o ceú agora... é lindo meu... - Mas tá de noite... - É... cara... - Que foi... - E sou o Rei Arthur cara! - Tá, beleza.
Assim, surge uma personalidade da mídia britânica, o Arthur Uther Pendragon. Autodeclarado druida e fundador da Loyal Arthurian Warband, vive de favores, viajando de um lado a outro e angariando seguidores. Este sujeito foi até candidato a algum cargo no governo, onde conseguiu menos de 600 votos. Para meu espanto, de fato ganhou alguns votos. Como comparativo, aqui no Brasil o Enéias levou 1 milhão e meio de votos, e não tenho certeza qual dos dois é mais idôneo para o cargo.
O que mantém nosso mais novo herói británico ocupado estes dias é uma disputa judicial, que na verdade já perdeu e se recusa a atender. Há mais de um ano ele se plantou no terreno ao lado do local de Stonehenge (onde os turistas podem estacionar e acampar), e mantém um protesto pedindo a queda das grades que protegem o local, para que os turistas possam se aproximar do local e tocar nas pedras. Segundo ele, é um local público e isso não pode ser negado aos visitantes.
Para ser o loquinho que é, até que concordo com a idéia dele em termos. O problema é como proteger um patrimônio desses, porém, também tem que pensar na segurança das pessoas. Sempre vai ter o idiota que vai querer subir nas pedras, o idiota que quer gravar um coração com as iniciais do seu amor, e o que é apenas um vândalo. Eu acho que as grades protegem esse patrimônio de nós mesmos, e para que algum dia todos possamos visitar o local e nos maravilhar com a grandiosidade de uma obra tão antiga. E quem sabe, receber a mensagem de que somos Perceval, Gawain ou outro grande cavaleiro e nos juntemos a John e sua cruzada maluca.
Damas e Cavaleiros, o blog orgulha-se em apresentar hoje um verdadeiro clássico de Hollywood: Knights of the Round Table, fita de 1953 estrelada por Robert Taylor no papel de Lancelot, e a espetacular Ava Gardner no papel merecidíssimo de Guinevere. Caramba, que mulher.
Esta fita TAMBÉM deu trabalho para encontrar, mas quem tem internet, bom... O resto vocês conhecem. A fita, inspirada no conto de Malory, me deixou com um misto de alegrias e confusões. Já explico melhor. Acontece que a história que o filme conta é realmente esquisita. Temos todos os nomes e lugares conhecidos, porém os papéis e ordem das coisas está beeem alterado. Vamos aos fatos:
Encontramos logo no começo um Arthur já adulto e meio-rei, que é defendido por Merlin como o único digno de ser seguido como High-King. Para isso, ele puxa a espada da pedra na frente de outros reis, e no meio deles estava Morgana e... Mordred, já adulto, e de caso com Morgana, loira e da mesma idade que o Arthur e Mordred. (Hein #1). Como ninguém se conformou, Arthur coloca a espada na pedra novamente, e Mordred tenta puxá-la (Hein #2). Como não consegue, diz que isso não quer dizer nada, e a decisão devia ser aceita pelo Concilio do Círculo de Pedras, que obviamente é Stonehenge (Hein #3).
Logo a seguir, vemos uma cena onde tem uns cavaleiros bem arrumados, cavalgando alegremente e cantando, mas em volta deles está tudo queimado e destruido, mas não estão nem aí (Hein #4). Entre eles está Lancelot, que encontra Elaine e decide dar carona para ela, mas tem que se desviar deste propósito para lutar com os soldados de Mordred, que queriam matar Arthur e estavam preparando a armadilha. No meio desta confusão, Surge Arthur, que luta junto de Lance, e depois contra o Lance, e ficam amigos forever (HEINS???).
OK, Arthur some, Lance acha no seu caminho um cara que tinha como refém a Guinevere e mais outra mocinha anônima. Lancelot ganha um lencinho da Guinevere como prenda, derrota o cara, e resgata as mocinhas, mas pede para outro cavaleiro acompanhá-las até seu lar porque ele tinha coisa melhor pra fazer. Isto lembra alguns detalhes do conto do cavaleiro da charrete, onde Lancelot de fato salva Guinevere, mas até aí as comparações.
O fato é que Lancelot volta para combater o exército de Mordred ao lado de Arthur, e isto nos rende uma cena fantástica, típica da era de ouro do cinema de Hollywood. A carga da cavalaria, acelerando aos poucos é de tirar o fôlego.
Bom, Arthur ganha, e é nomeado rei, mas por perdoar Mordred e chamá-lo para ser cavaleiro dele acaba perdendo a amizade do Lancelot. Ele somente volta durante o casamento de Arthur com Guinevere, onde Arthur fica sabendo que ela foi salva pelo Lancelot, e o nomeia campeão da rainha. Aí começa o joguinho de olhares e tralalá dos dois, coisa que Morgana percebe.
Merlin também percebe, e diz para ela esquecer, afinal Lancelot casaria com Elaine. Tanto é assim, que ele casou e foi embora para combater no norte; nesse meio tempo, Merlin morre envenenado por Morgana, e o bebê Galahad é enviado por Lancelot para Camelot para ficar aos cuidados de Arthur e Guinevere. Agora todos juntos em coro: "HEIN????"
Lancelot volta triunfante e viúvo para Camelot, declaram feriadão, e se encanta com Vivian, jovem e bela. Rola um ciuminho básico da Guinevere, quem vai buscá-lo à noite para tirar satisfação; Mordred manda seus homens para pegá-los no flagra, e após a clássica luta Lance e Gui fogem.
Na manhã seguinte, eles são condenados a morte por incitação do Mordred, mas Lancelot aparece e se entrega, falando que ele apenas fez o que se espera do campeão da rainha, que é defendê-la, e por isso se entregava desde que ela seja poupada. Arthur não acha a menor graça em condenar a morte seu melhor amigo e sua mulher (mais ainda sendo a Ava Gardner), e decide mandar Lancelot ao exilio, e a Guinevere para o convento em Amesbury.
Com isso Morgana e Mordred conseguem levar a cabo seu plano maléfico (sempre quis usar essa palavra...), e separam Lancelot de Arthur; logo depois Arthur e Mordred viram exércitos separados, e antes de lutar chegam a fazer as pazes, porque Arthur não quer lutar contra seus próprios compatriotas. Mas uma cobra (literalmente) se aproxima de um cavalo, e quando um cavaleiro puxou a espada para matar a cobra, os outros entenderam traição, e partiram para o ataque. Não, não tem hein nesta parte, foi assim mesmo no livro.
Lancelot escuta de Arthur as palavras de perdão, e um pedido: que leve este perdão para Guinevere. Ele o faz, indo ao convento onde conta para Guinevere (já freira) que Arthur morreu, mas antes de morrer a tinha perdoado. Ela se reclui, e Lancelot sai.
Mas agora tem um HEIN daqueles: Arthur MORRE neste combate, Lancelot pega Excalibur e a lança no mar, mas parte para um castelinho mediocre onde Mordred e Morgana se escondem. Mordred e Lancelot lutam até a morte, onde Mordred morre esfaqueado, o Lancelot quase bate as botas na areia movediza, mas é salvo por Beric, seu cavalo superobediente numa interpretação de dar inveja à Lassie. Sim, Hollywood sempre gostou de animais atores.
Após isto, Lancelot chega cansado da vida em Camelot, encontra com Galahad, e juntos tem a visão do Graal na távola redonda, porém esta visão é apenas concedida ao Galahad, quem não tem pecado. Lancelot tem que se conformar com um relance, um instante da visão, e o conforto do filho ao lado dele. E sobem as letrinhas do fim.
Deixando a salada de lado, gostei muito do filme, achei fantásticas as cenas de luta e os figurinos perfeitos, a ambientação caprichada também é um plus a mais, e somente ficou devendo a atuação, que em alguns momentos é lastimável, sem a menor emoção. Mas vale a pena, tem muitos mais prós do que contras! Recomendo!
E agora?
Eu sei que venho falando muito de filmes ultimamente, mas não é minha culpa se os filmes não páram de cair no meu colo. Cada vez que falo de um, parece que aparecem mais dois ou três... Ainda quero falar do Tristão e Isolda, já que na época falei superficialmente. E quero falar também de um filme bem estranho, chamado "Perceval Le Gallois", que relata o conto do Perceval no formato do Chrétien: em poesia, com os dialogos originais. Nem que fizeram com o Hamlet.
Depois disso, quem sabe eu volto a blogar sobre livros, contos e outras coisinhas... material não falta, né?
Olha, esse post daqui deu trabalho. Não pelo ato de escrever, mas deu trabalho de pesquisa. Não foi nada fácil descolar o material de estudo, e o complicador neste caso era a raridade do material aqui na Terra Brasilis... Ainda bem que quem tem internet tem uma janela para o mundo.
Arte do gibi original de Harold P. Foster
Hoje trago a vocês o que podemos chamar a continuação do post sobre "El Príncipe Valiente" de Outubro do ano passado. Ao ler novamente esse post, percebi que mesmo um ano atrás o Prince Valiant já era meio fujão, ao menos no quesito informações sobre ele. É um personagem nascido como gibi e inspirado na lenda arturiana; para não reescrever tudo de novo deixo o link do post antigo aqui. Só lembrem de voltar pra cá depois!
Aos que foram, que bom que voltaram. Aos que ficaram, bom... suponho que já sabem quem é Valiant, né? Voltando a esta saga de posts sobre filmes, hoje a edição é dupla, já que vou falar de DOIS filmes do Prince Valiant, nosso herói de cabelinho chanel. Quase um He-Man, só que moreno. E medieval.
Para quem quiser ver a ficha técnica dos filmes, é só clicar no link do IMDB no título.
Muito bem, este filme foi bastante esculachado pelos seguidores do gibi, já que se inspirou nos nomes dos personagens e alguns pontos da história para criar uma outra versão, bastante cinematográfica porém incorreta desde o ponto de vista do gibi. Para começar, Valiant não sabia que era príncipe no gibi, enquanto no filme a primeira cena já mostra ele como filho de reis exilados, vivendo com os pais. Digamos, já começou chutando o balde. Pra mim, que não li o gibi (ainda), olhei a mudança com bons olhos, e deu um sentido diferente e uma explicação coerente para a coragem e força de Valiant como personagem. Só vendo o filme para entender melhor o que estou querendo dizer, mas eu acredito mais em um herói com motivos do que em um que nem sabe quem é direito. Claro, não podemos esquecer do encontro épico de Luke e Vader, mas isso é outro filme. Neste caso basta saber que o jovem Valiant vai para Camelot para se tornar cavaleiro e recuperar as terras da Escandinávia, de onde seus pais (legítimos reis) foram destronados pelo vilão Sligon. Os pais dele e alguns poucos seguidores se refugiaram em uma costa distante da Inglaterra, onde Sligon não conseguiu seguí-los nem encontrá-los.
Uma coisa bem legal de ambos filmes foi começar com desenhos do próprio gibi, no típico estilo de desenho da época. Lembra o traço do Flash Gordon. Mas acho mais legal ainda como nossa percepção das coisas muda; ver as fantasias de viking que parecem compradas na 25 de Março, com chifrão de "prástico" e os chroma keys com fundos pintados tem um sabor cult, até kitsch. Nessas horas é muito bacana ver a total falta de digital FX.
O primeiro encontro de Valiant com os cavaleiros da távola redonda ocorre de maneira desastrada, onde ataca sem querer o Gawain (quem mais tarde se tornaria seu maior aliado). Olha só:
Depois de ver essa cena lembrei do Felipe Massa. Mera coincidência.
Bom, mais um par de detalhes que posso compartilhar com vocês. Logo no começo aparece um tal de Sir Brack, que nunca ouvi falar em lenda nenhuma, e para quem tem meio dedo de malícia saca logo que ele é o vilão. E depois que abre a boca fica mais obvio ainda.
Neste filme temos duas mocinhas, uma loira e uma morena, que são irmãs e ficam trocando de mãos entre Valiant e Gawain até o fim do filme. Não vou comentar os lances românticos, mas são de bom tom e bastante divertidos.
O filme é predecível, porém divertido. Tem muita ação real, muitas lutas bem convincentes, sem efeitos especiais; rende uma boa sessão da tarde. Particularmente a cena do torneio, que é muito boa de assistir, ao ponto de esquecer o datado que é o filme. É uma verdadeira cena clássica, timeless até.
Um ponto à parte são as acrobacias do Valiant; são bem temerárias, e lembram o jogo Prince of Persia, com todas suas macaquices e pulos.
Na minha opinião, a queda do castelo do Sligon é muito bacana, porém podia ser mais curta que não afetava em nada. Já a batalha final entre Valiant e Brack é dinâmica, convincente, e faz jus ao filme. Um bom final, sem beijos nem nada.
Curiosidades à parte, no primeiro filme o dragão símbolo de Camelot parece um pato mal desenhado, enquanto no segundo filme a familia de Valiant usa um cavalo como símbolo, que lembra o dragão do Mortal Kombat. Algumas vezes me pergunto até que ponto dá para encontrar referências obscuras...
Nesta versão a coisa muda, mas ainda é mantido o começo com imagens dos quadrinhos, bem dinâmico por sinal.
Neste caso aparentemente respeitaram muito mais os gibis, só que isso trouxe novas perguntas, ou por dizer assim, coisas que deixam contrariado qualquer arturiano como eu. Segue a frase que falei em voz alta enquanto assistia o filme, logo no começo:
- Hein? Comé? Morgana? Em Thule? Terra de Vikings? Exilio? Perai...
Por falar em Morgana, até que gostei dela no filme. É bem bruxa clássica, vilãzona mesmo, só acho que tinha que ser um pouco mais chapadona, mas maluca das idéias, mais desgovernada. Não tanto quanto a Belatrix do Harry Potter, mas encaixava.
Temos também outro mago, o Merlin, que até aparece com o mesmo capacete do filme Excalibur que já comentei. Ele aparece muito brevemente, e não aporta nada (até porque está morto...), mas quero dizer que não influencia absolutamente em nada. Nem menção dele depois dessa cena. Mais uma referência obscura para o caderninho...
Bom, a questão é que tudo gira em volta do roubo de Excalibur, a espada de Arthur. Tudo foi forjado pela Morgana e seus aliados (?) vikings, que se fantasiaram de escoceses para dar a pista errada e provocar uma guerra entre Arthur e as terras da Escócia. Mas como todo mundo é muito espertinho, logo percebem e vão atrás dos Vikings, graças ao Valiant. Excalibur tem neste filme um papel meio parecido com o do "The One Ring" do Senhor dos Anéis, já que quem tiver a espada pode governar os outros.
Neste filme o Valiant não sabe que é príncipe, e descobre isso pelo meio do filme; ele não conheceu seus pais, já que um Viking chamado Boltar (braço direito do rei viking pai de Valiant) o levou até Camelot quando ainda era uma criança, para escondê-lo de Sligon, o vilão.
Outra diferença forte com o primeiro filme é que a cena onde Valiant se faz passar por Gawain é logo no começo, sem maior introdução nem nexo com qualquer outra coisa. No mesmo embalo é que Athena, princesa da vez e sem irmã, se encanta por Valiant achando que é Gawain, mas finalmente o aceita mesmo sendo um mané. Tudo bem, depois vira príncipe, mas quando o conheceu era um mané mesmo.
As trocas de cena no filme são muito, muito legais. Eles usaram os próprios quadrinhos do Foster para fazer as emendas de cenas, contando o que acontece nas narrações; este recurso foi bem explorado, e combinou muito bem com o tom adolescente do filme.
Conclusão
Tem algumas coisas no Valiant que lembram o "Coração de Cavaleiro", já que temos um escudeiro que se faz passar por cavaleiro pelo amor de uma mocinha, que por acaso é princesa. Mas até aí chegam as comparações, já que o Valiant se sustenta como conto por si só, trazendo personagens curiosos, até estereotipados de gibi.
Ambos os filmes tem um apelo jovem, uma história simples que encaixa bem em qualquer sessão da tarde. Crianças e adolescentes que curtem gibis vão gostar dos filmes; claro que os que conhecem o gibi do Valiant vão apontar um bocado de erros, mas isso sempre fez parte das adaptações de um meio para o outro, seja filme, seriado, teatro ou qualquer outro.
Quem for ver algum dos filmes, não esqueça de voltar e comentar! Até o próximo post!
Continuando a saga de posts sobre filmes arturianos, neste post vou passar minhas impressões sobre o filme "A Espada na Pedra", fita da Disney produzida em 1963 e inspirada no trabalho de T.H. White (nem que o musical Camelot, que comentei um par de posts atrás).
Esta versão da Disney ganhou há pouco uma edição especial em DVD em homenagem aos 45 anos do filme, que inclui extras como alguns jogos, imagens da produção, entre outras coisas. A capa deste pacote especial ilustra o post de hoje.
O desenho é bem Disney, com direito a cenas de vassouras dançantes, momentos Nemo, esquilos, cenas reaproveitadas, etc.etc. É um desenho bem tradicional, musical, clássico da época. Acho que uma das coisas que mais gostei foi da escala, a sensação de trocas de câmera, as camadas, com coisas passando na frente das outras. Disney fez uma revolução no estilo de produzir desenhos animados, e mais ainda ao dar a essa arte o espaço que antes era exclusivo dos atores de carne e osso. Para produzir um desenho, há roteiristas, diretores de arte, cenografistas, dubladores e tantos outros artistas antes ignorados, observados apenas como hobbystas, e como entretenimento barato. Filmes como este fizeram do desenho animado uma arte.
Os livros de T.H. White tem apelo infantil bem semelhante ao dos primeiros livros do Harry Potter. O filme apresenta a história do jovem Arthur, que todos chamam de Wart; uma criança nos seus 11, 12 anos de idade, que foi adotado por Sir Ector, e assim vira irmão adotivo de Kay. Wart é um menino de bom coração, e é fácil gostar dele, e com certeza as crianças que assistiram (e assistirão!) o filme vão se identificar com esse mundinho mágico.
Durante esta incursão no bosque para caçar, Wart cai literalmente na casa de Merlin durante uma saída para caçar com Kay.
Merlin é o clássico feiticeiro medieval, com barba longa e chapéu pontudo. Ele já viajou ao futuro, e por isso está cansado dos problemas medievais. Sente falta da eletricidade, dos trens, dos aviões... É por isso que na casa dele encontramos até um globo terráqueo com um papel que diz "o mundo como será quando descoberto em 1492". Esse conhecimento rende algumas confusões, é claro.
Merlim decide acompanhar Wart até o castelo, e se mudar pra lá junto de Arquimedes, sua coruja falante e bem educada. A partir deste momento ocorrem vários momentos mágicos, onde o jovem Wart tem a oportunidade de ver a vida como outras criaturas; ele é convertido por Merlin em peixe, em esquilo e finalmente em pássaro. Tudo isso para que veja como cada espécie tem seus problemas, e aprenda a se colocar no lugar dos outros, a pensar diferente.
Infelizmente Wart não teve tempo no filme para explorar seus aprendizados, já que o filme acaba na cena em que puxa a espada da pedra, e é anunciado como o novo rei da Inglaterra. Quer dizer, passou por um bocado de coisas, mas ficamos sem saber no que deu. Apenas que esse jovem, chamado Wart, seria o Rei Arthur, e teria a Merlin como seu conselheiro. E a coruja Wart, dando palpites.
A frase que quero resgatar do filme ocorre logo após a cena dos esquilos. Começamos com Wart e Merlin em forma de esquilos, no topo de uma árvore:
Merlin -Wart, cuidado! Você não pode pular de galho em galho sem calcular! A gravidade te afeta diferente agora que você é um esquilo! Wart - O que é gravidade? Merlin - Bom, é uma força que atrai todos os objetos entre si. É o que te faz cair. Wart - Como um empurrão? Merlin - Não.. em.. É o que te atrai para o chão. Só isso.
Nesta cena duas esquilos fêmeas encontram Merlim e Wart, e os confundem com esquilos machos. Eles tem um trabalho enorme para fugir das "esquilas casadeiras", por falar assim. Uma vez que voltaram a forma normal e estão voltando para casa, surge esta conversa:
Merlin - Sabe Wart, esse negócio de amor é uma coisa poderosa. Wart - Maior qué a gravidade? Merlin - Ehem.. É. É sim. Maior que a gravidade. É a maior força que existe.
Para mim, a melhor frase do filme. Merlin era o cara...
Sim, sei que estou devendo. Eu postava mais seguido, sem falhar um final de semana. Mas nem sempre as coisas são como a gente quer... Minhas desculpas aos que ficaram esperando por um post neste tempo todo. Por isso, como este post é longo, decidi postar hoje mesmo, no fim da sexta-feira, para dar mais tempo a quem quiser ver.
Seguindo com a série de posts sobre filmes arturianos, hoje trago para vocês a minha experiência assistindo o filme "As Brumas de Avalon", pouco tempo depois de terminar de ler os livros, e com a história na cabeça. Vamos lá!
A frase da vez:
What you know about Arthur, Lancelot, Guinevere and the evil sorceress Morgain Le Faye are lies. I know, because I am Morgain Le Faye.
As mudanças ao livro são bem evidentes, gritantes até, mas para dar agilidade à trama. Um exemplo disso é a menção às tatuagens de dragão nos braços, que no livro tem muito significado, porém no filme servem apenas para uma referência vaga. Outra coisa bem diferente ao livro são as cenas de batalha, que no filme são bem detalhadas; no livro é apenas um "foi lutar e voltou". O filme ganha muito com as batalhas, fica mais rico, e imprime velocidade que falta ao texto.Gostei muito do momento em que conhecemos o Uther. Ele é bem toscão, medieval mesmo, sujão, como os saxões que enfrenta.
Sobre as atrizes: gostei muito das interpretações. A inveja da Morgause é espetacular. A criança que interpreta Morgana novinha é de tirar o fôlego, de tanta credibilidade. Convence mesmo. Tem um rosto que passa toda a inocência da infância, e ao mesmo tempo uma tristeza no olhar, como a dos adultos que já passaram pelas amarguras da vida. Olhar de sabedoria, de experiência. Mudando de assunto, uma pergunta que não quer calar é: Por que Uther ficou em Cornwall depois de casar com Igraine, quando poderia ter ido para Camelot?
Falha nossa: Quando Vivian e Morgana chegam nas fronteiras de Avalon, os barqueiros surgem da névoa. Que eu lembre, eles somente podem entrar ou sair com uma sacerdotisa, certo? Não tinham que estar esperando na beira do lago?
O filme nos apresenta uma Vivian bondosa, maternal, diferente ao livro. Ela é muito boa com Morgana, como uma mãe compreensiva. Angelica Houston está impecável neste papel, imponente como a verdadeira dama do lago.
Lancelot.. Estava demorando para aparecer. O sonho úmido de toda mulher. Longe de qualquer agressividade ou aspereza que podemos esperar de um guerreiro medieval capaz de derrotar hordas de saxões, o Lancelot do filme é "o" cavaleiro, o galã, de barba feita e sorriso matador. Forte, másculo, sob medida, etc, etc..
Uma coisa que achei esquisitinha é o fato de Morgana ser uma mulher bela, até mais do que Guinevere. No livro, para quem não sabe, ela é baixinha, feinha, desleixada, e por isso chamam ela de Morgana das Fadas, porque parece com um tal de povo das fadas (anões do bosque, bixo-feio).
Inesquecível: a cara de tacho da Morgana quando vê como Lancelot perde interesse por ela ao ver a todopoderosa e megacasta Guinevere. Inveja é uma m....
Proibido para menores, que nada; a cena do Astado (onde rala e rola tudo) acontece com as pessoas vestidas. Nada de mostrar a pele onde o sol não bate.
Mudança do livro e espoiler, no filme eles transam em silêncio, e saem a cova como desconhecidos, sem se falar. Já no livro, depois do ato eles se falam e ela percebe que ele é Artur, seu irmãozinho. Bang, incesto.
Em.. ehem.. no filme, o jovem Arthur defende Uther em batalha. Que eu lembre, eles não se conheciam, afinal, Merlin o levou quando criança... mas tudo bem.
Pegando carona na cena anterior, Arthur é manipulado por Vivian para pegar Excalibur em um momento de vida o morte, de desespero. No filme, a cena é bem mais sacra, cerimonial. Não entendi muito bem a razão dessa edição, assim como a anterior.
VIDEO: Vejam só o sentimento de Morgana ao se ver manipulada. Essa cena me arrepia.
Coisa bonita de ver: O encanto de Accolon ao ver Morgana, e a amizade instantânea entre Morgana e Guinevere. Exatamente como no texto original.
O reencontro (finally...) de Morgana e Lancelot é tenso, e falam de um bocado de coisas que acontecem no livro. Pena que não ocorreram no filme, né? Como por exemplo a ficada dos dois em Avalon.
VIDEO: Surubinha real. Olha só e me diz se o Artur do filme não é um pastelão.
Lembrei de uma coisa, aliás... somente depois desta cena que surge o fanatismo da Gui por religião. No livro isso está presente desde sempre.
Err.. O fato pelo qual Morgana vai parar em Gales é um pouco diferente. No filme é uma confusão por não falar nomes, enquanto no livro foi uma decisão ciente do Artur para afastar Morgana de Camelot.
Acho que não falei disso ainda, mas o Merlin do filme é apenas isso, Merlin. Nada de bardos, nada de Taliesin, de Kevin, de arpas... tanto é assim que Merlin morre de velho, e pronto. Acabou-se.
E chegamos a Mordred. Nada se diz sobre a infância dele, que já era bem agitada; os poderes dele deixavam todo mundo preocupados, sem muita certeza do que esse moleque esperto ia virar.
Por outro lado, estamos quase no fim do filme e Vivian ainda está viva, tão viva que mata Morgause e morre nas mãos de Mordred. Isso sim é completamente diferente, tanto que Morgana nem virou dama do lago...
Entre outras coisas, nem falaram do povo das fadas, nem do graal..
Finalmente, Excalibur retorna para Avalon, mas de um jeito um pouco diferente. Tanto é assim, que no filme foi usada quase que como chave para entrar em Avalon, mas a idéia não foi ruim.
E no fim mesmo do filme e do livro, Morgana encontra a deusa, não com toda a riqueza do livro, mas quase.
Chega hoje a vocês a segunda edição do sessão especial. Para quem perdeu o da semana passada, a idéia é falar sobre os diversos filmes já lançados sobre a lenda arturiana, com o olhar particular que tenho para as coisas e a base de conhecimento que trago da lenda.
A edição de hoje tem a sorte de trazer a vocês o filme "Excalibur", de 1981. É claramente o melhor filme sobre a lenda arturiana que caiu nas minhas mãos. Este filme teve como base os textos do Malory, e consegue contar a história de cabo a rabo. Desde os começos onde Uther faz Arthur em Igraine, até a barca de Avalon levando Arthur para o além. Todos os pontos cruciais da história foram retratados. O nascimento de Arthur, a espada na pedra, a coroação, o encontro com Guinevere, casamento, Lancelot, Morgana, a ruina, o graal, e até Perceval.
A fita (ô palavra véia...) mostra a direção impecável do John Boorman ao longo de 140 épicos minutos, e uma lista de atores de nome bem conhecido; é até engraçado descobrir o Gabriel Byrne no papel do Uther, Liam Neeson como Gawain, e Patrick Steewart como Leodengrance. Mas a coincidência mais engraçada é Guinevere. Nossa querida, safadinha Guinevere. Ela foi interpretada por Cherie Lunghi, quem uns bons anos mais tarde interpretaria Stephanie, a cafetina do seriado "Diario de uma garota de programa". Toma essa.
Vamos às pérolas do filme:
Uther, o cabra macho. Ou o macho alfa, como diria uma amiga. É a testosterona de armadura medieval. Como ele mesmo disse logo no começo do filme, "TALK?!? TALK IS FOR LOVERS!!!" Um bom exemplo da sua personalidade surge na mesma noite onde por fim conseguiu o tratado de paz com Gorlois, o próprio Gorlois organiza um festim, e pede para sua mulher dançar para os convidados. Foi questão da jovial Igraine dar duas voltinhas com a saia que o Uther começou a gritar "EU DEVO POSSUIR ESSA MULHER!! EU DEVO!!!". Gesto inadequado de um comensal na casa do anfitrião, se referindo a sua cónjuge. Mas no fim das contas, ele é um personagem quase que teleguiado pelo Merlin, para propósitos digamos, mais nobres.
Falando em Merlin, ele dá a nota, e é o destaque em todas as cenas onde aparece, apenas encontrando páreo nos seus encontros arrebatadores com Morgana. Mas Morgana sempre roubou a cena... O Merlin nesta versão veste um capacete prata, que lembra desenhos animados de super heróis dos anos 60. Mais precisamente os vilões. Mas o destaque do Merlin não é o visual, são as falas. Algumas delas tem entonação de vendedor de pamonha, mas é legal ver a cara de confusão das pessoas en volta do mago enquanto ele fala. Como se ninguém entendesse do que ele está falando em absoluto...
Dá para entender o trauma da Morgana. Além de ter poderes de ver o futuro e outras cositas más, teve um momento nada fofo na sua infância ao assistir de camarote o Uther traçando sua mãe Igraine. De armadura. Com a idade, ela somente ficou mais e mais ardilosa.
O encontro da Gui com Arthur é bem bacana, bem construido, convincente. Assim como o encontro do Arthur com Lancelot, e o de Lance com a Gui. Tudo plausível, humanizado.
O sentimento confuso da Guinevere en relação ao Lancelot aparece no rosto de ambos. A indecisão do Lancelot, a perda de chão dele é visível, evidente. Ele nem quer freqüentar Camelot, para evitar encontros que possam abalá-lo.
Mas quando esse encontro entre eles finalmente ocorre, é nesse instante que o mundo acaba. Acaba mesmo. Merlin se rende aos poderes de Morgana, e fica preso pela eternidade. Arthur pega Lancelot e Guinevere no flagra, peladões na grama, dormindo de conchinha. Morgana, com os poderes roubados do Merlin, se faz passar por Guinevere e engravida de Arthur, e se revela ao Arthur chamando-o de "irmão" ao pé do ouvido. Tudo na mesma noite.
Dá para entender a ressaca com que Arthur acordou no dia seguinte, e ao ver seu mundo caindo, ele entendeu isso como castigo divino e pediu aos seus cavaleiros que partam em busca do Graal. Com isso, o filme emenda a história do Perceval, e mostra gradativamente o fim da távola redonda.
Já no fim, temos o último encontro entre Arthur e Guinevere (ela já no convento), e a batalha final dele com Mordred, onde ambos são feridos mortalmente. Para coroar o filme, Excalibur é devolvida à Senhora do Lago, e Arthur parte para Avalon na barca com as sacerdotisas.
Épico, como deve ser. Alguma crítica ao filme? Acho que a parte da busca do Graal ficou descuidada. Não faz muito sentido vendo apenas o filme, e pode ficar maçante ao pensar em um filme de 140 minutos. De resto, é uma peça e tanto!
Começa hoje uma série de posts sobre os filmes inspirados na lenda arturiana. Tive esta idéia há alguns tempos, mas ela voltou no dia em que por um acaso uma cópia do filme "Camelot" caiu no meu carrinho de compras. Na verdade, na minha mão mesmo, não tinha carrinho.
Camelot é um filme épico, uma tradução para o cinema da peça de teatro homônima; ambas obras baseadas na série de livros do T.H. White, "O Único e Verdadeiro Rei". A fita, produzida em 1967, levou 3 Oscars e mais um bocado de prêmios e nomeações. Mas vocês não vieram até aqui para me ouvir falando rosas e maravilhas... sim, eu sei que vocês querem meus comentários azedos. Eu conheço vocês. Sei onde vocês moram.
O filme vale a pena, e a paciência dedicada em apreciar 3 horas desopilantes. Sim, 3 horas de filme, com direito a plaquinhas de intervalo e tudo... Isso é que é uma tradução literal da peça de teatro. Mas essa é apenas a primeira, e a menor das surpresas da fita. Estamos falando de uma obra que se esforça por ser séria, e falha miseravelmente, e assistimos esse fracasso com choro de riso e felicidade. Faz tempo que não rio com tanta vontade de um filme. Talvez alguém lembre (tá certo.. ninguém vai lembrar mesmo) o que disse sobre o o livro do White: o texto é particularmente básico, infantil. Agora, fazer uma peça de teatro e ainda um filme com essa materia prima não podia dar em outra coisa. É um primor de assistir...
1) Arthur. O Wart. O único e verdadeiro rei.. bobo. Não é bem a palavra que estou buscando; é uma mistura de insegurança, infantilidade e falta de capacidade. Impericia. Um coitado. Este Arthur se vê em situações esquisitas, onde nos vemos forçados a acompanhar o raciocinio (por chamar de alguma maneira) para resolver as questões. Exemplo:
Tenho que pensar, mas não consigo pensar em nada. Mas não pensar em nada já é um pensamento, portanto estou pensando, certo?
2) Jenny. Nossa Guinevere, na visão mais assanhada que os anos 60 permitiam. Ou seja, a devassa perfeita. Ela entra em cena pedindo para ser levada por um cavaleiro cretino, ou qualquer outro homem. Basta ser homem. Não tem critério. Não pensa com a cabeça. O resto vocês sabem.
3) Lance. O herói brilhante, cheio de sotaque. O francês, grande cavaleiro da Joiosa Guarda, interpretado por um Franco Nero desesperado por parecer um ator que não foi chamado pela aparência. E nós fazemos de conta que acreditamos, ao vê-lo chorar tão sofrido, tadinho.
4) O universo de purpurina. O mundo era gay nos sessentas, e não fazia a menor questão de afirmar o contrário. A cena do Arthur e o Lance colhendo flores na festa da primavera é comovedora (não, não é). E enquanto isso, a Jenny, rodeada de casais e doida para aprontar. Nessas horas que penso, como o mundo está perdido. Mas vejo que não é de hoje.
5) Os baluartes de sabedoria nas palavras do Arthur. São autênticas pérolas que nos acompanharão pelo resto das nossas vidas. Vai mais uma:
Não tente entender como uma mulher pensa. Elas não costumam fazer isso com freqüência.
O Arthur já era meu herói, mas depois dessa...
6) Props. Os figurinos, armaduras e outros acessórios são excelentes, e fotografam muito bem em cena. É uma pena perder a ilusão da magia do cinema quando vemos o Arthur segurando Excalibur pelo gume, e esfregando o rosto nela enquanto pensa, se reconfortando... Em qualquer outro filme, teria se degolado.
7) O que vocês fariam e estivessem a instantes de morrerem queimados na fogueira? Bom, a Gui parece não se importar com isso. Não se importou no pátio pegando fogo. Não se importou na entrada do Lance. Não se incomodou com a morte da metade dos cavaleiros da távola redonda. Não se importou em ser salva. Parecia uma boneca de pano. Inexpressiva. Flexível, porém inexpressiva. Ao menos nessa cena, deixou muito a desejar.
8) Pode ser um problema meu, mas não tive como entender a passagem do tempo. Embora os fatos são relatados em ordem cronologica, é o tempo ocorrido entre um fato e outro é que não faz sentido. Os personagens falam de uma assunto, e na fala seguinte se passaram anos. Uma vinhetinha não faz mal a ninguém..
9) O final. Ou a falta dele. Nada se resolve no final. Ao ponto que quando acreditamos que vai ter uma sacada inteligente (quem será esse jovem? Perceval? Galahad?), uma criança filho de ninguém sai correndo e pronto. Assim termina. Com um tal de Tom de Warwick vazando.
10) Chega. Precisam ver. Eu vejo de novo, quem topar pode ver aqui em casa!