Não é falsa, é réplica...

Alguns dias atrás estava falando com a Marion, e lembrei deste post:


Tudo começou com um comentário meu sobre o seriado Merlin, que em sua quarta e mais nova temporada tomou coragem e está matando personagens importantes. Aí, como quem não quer nada, soltei um comentário, mais ou menos assim:

- Podiam aproveitar e matar a Guinevere, falando que era a falsa Guinevere.. bom não digo matar, só trocar mesmo.
- Ah, não seja mau, coitada..
- Não é maldade, tinha uma falsa Guinevere mesmo.
- Como assim? Falsa Guinevere?
- Claro, na lenda tinha uma falsa Guinevere, que substituiu a verdadeira uns tempos.. Eu postei disso, não lembra?

Lógico que ela não lembra. Eu mesmo esqueço às vezes! Bom, eu tinha pensando em escrever um post mais completo sobre o assunto, mas o primeiro que escrevi é bem completo e conta a história direitinho. Se ficaram curiosos, podem clicar no link acima e relembrar de onde saiu a outra Guinevere.

Mas, como internet é uma coisa mutante, toda hora aparecem novidades. Assim, descobri este link, com um comparativo entre alguns manuscritos, específicamente em relação ao trecho da falsa Guinevere; é interessante comparar as versões, e pensar o que levou os escritores destes manuscritos a mudar uma parte o outra. Foi decisão deles? Escreveram da sua memoria, ou receberam instruções sobre o que escrever? E as ilustrações, com qual critério escolheram desenhar uma cena ou outra?

Pensem nessas perguntas, e se divirtam mergulhando neste comparativo.


Até o próximo post!

Onde está Wally?

Pois é... Como é que um blog com postagens semanais fica mais de um mês sem novidades?

Tem várias respostas, algumas com cara de desculpa, e outras com cara de verdade. Não vim até aqui para jogar desculpas em vocês, mas para pedir desculpas por essa longa pausa nas postagens. Posso falar que a soma das novas atividades, como a mudança de cargo no trabalho ou ter começado a fazer academia está me obrigando a escolher minuciosamente o que faço com cada minuto livre, e sobram cada vez menos minutos para escolher. Mas, não vejo isso como uma coisa ruim, apenas uma questão de escolhas. Foi decisão minha parar as postagens no blog por enquanto, até organizar uma rotina que me permita escrever novamente. Não gosto de escrever bobagens nem de enrolar, por isso preferi não escrever nada a escrever qualquer coisa.

Nesse meio tempo, enquanto busco o espaço para ler e juntar conteúdo para o blog de novo, recomendo muito a quem pode que acompanhe a nova temporada do Merlin. Finalmente a BBC conseguiu budget para o projeto, e isso fica visível nos cenários, na construção das cenas e até na trilha incidental. É incrível como algumas cenas repetitivas (do tipo Merlin-encontra-alguma-criatura-mítica-em-um-lago) ganharam nova vida com a melhora da iluminação, das câmeras e da música de fundo. É a diferença entre um seriado como qualquer outro, e uma produção para valer. É, quem diria, estou elogiando o Merlin, depois desse tempo todo. E por sinal, o destaque vai para a Morgana. Finalmente encarou seu papel de vilã de verdade, e ganhou uma força até agora inédita para o papel. Dá gosto, quase que torço por ela em várias situações.

Alguém aí já assistiu também os primeiros episódios? O que estão achando até agora?

Até o próximo post! @Marion, parabéns de novo!

Avalon High

Ah, férias... nada como tirar alguns dias para soltar o peso das costas, viajar, conhecer novos lugares, fazer novas amizades.. E claro, comer, dormir, e voltar a fazer coisas que ficaram de lado por falta de tempo. Entre elas, voltar ao hábito da leitura.

Levei comigo dois livros, leves e rápidos de ler. Para minha surpresa, nossa agenda nesta viagem de férias foi bem lotada, muito corrida, e só deu para ler nas esperas de aeroporto e dentro do avião. Terminei o primeiro livro ontem, e está na hora certa de comentar. Sobre a viagem, estejam atentos ao blog da Marion nesta semana.

Em Março, ganhei de aniversário o livro Avalon High, da autora Meg Cabot. Ela é mais conhecida por literatura adolescente (mais precisamente meninas), e Avalon High não foge muito dessa regra. Não tinha lido nenhum trabalho dela até agora, e admito que foi uma leitura leve e muito engraçada. O texto, mesmo leve e descompromisado, conta uma história que daria um bom filme da tarde, mas a Disney fez questão de destruir com sua versão digamos, criativa. Como de costume, vou contar um pouco da história do livro, sem contar detalhes para quem for ler ainda.

A protagonista, Elaine, é uma garota como qualquer outra. Não é de se arrumar, e por ser bem alta acha que os meninos não dão bola para ela. Nas palavras dela, ela não é romântica, é uma garota prática. Acabou mudando de escola quando seus pais mudaram para outra cidade, como fazem regularmente a cada sete anos. Acontece que os pais são professores universitários, e a cada 7 anos podem tirar um "ano sabático", onde geralmente aproveitam para alugar uma casa em outro lugar e vão para escrever algum livro, ou concluir alguma atividade acadêmica.

A escola nova é a Avalon High, onde conhece outros alunos que lembram muito os seriados de High School americanos. Tem o quarterback admirado por todos e líder dos alunos, tem a cheerleader invejada de tão bonita que se revela uma pessoa tão boa e honesta que nem dá para ter raiva dela, tem os inadaptados de sempre... é bem divertido mesmo.

Um detalhe que não falei sobre a família da Elaine: ela ganhou esse nome (que odeia, por sinal), em homenagem ao poema da Senhora de Shalott, um belo poema arturiano pelo que a mãe dela é fissurada. Os pais da Elaine são medievalistas, e embora isso possa ser legal, nunca vai ser legal para um adolescente. Sempre esses papos de mundo antigo, o tempo todo... Aliás, os adolescentes que me desculpem pelo meu blog arturiano, hehe..

Elaine odeia a Senhora de Shalott. Cada vez que sua mãe se empolga, seja pela emoção ou por uma taça de vinho a mais no jantar, começa a recitar o poema. Os pais dela são meio esquisitos mesmo, e acabam dando mico constantemente com esse seu jeito acadêmico. Segundo Elaine, isso é porque eles pensam de forma medieval, e então esquecem coisas como higiene, refrigeração da comida e outros costumes mais modernos. Ainda assim, são pais bem preocupados e zelosos da sua filha. Uma das lições que parece ter lavado o cérebro da Elaine é a preocupação com sua Imagem (assim, com maiúscula), e em várias cenas reflete sobre como sua Imagem é afetada pelo que diz, faz, ou mesmo por ter os pais que tem.

Assim como a Senhora de Shalott, cujo corpo percorreu os rios até chegar em Camelot, Elaine passou práticamente o verão inteiro boiando.. na piscina da casa nova. Ela tem obsessão pela piscina, já que nunca teve uma em casa, e cuida dela diariamente. Sua diversão é ficar lá, flutuando na bóia, enquanto pega sol metodicamente. Os diálogos desta parte do livro me fazem sorrir, só de lembrar as situações.

Na medida que começam as aulas, vamos descobrindo junto a ela os outros alunos, como o Will, o quarterback admirado e respeitado, Lance, o melhor amigo dele, e Jeniffer, a estonteante cheerleader namorada do Will. Temos também professores esquisitões, alunos meio excluídos do grupo, as amigas fofoqueiras... o kit completo da típica adolescência americana.

O fato é que, na medida que avançamos na leitura, começamos a identificar traços dos personagens arturianos em cada um dos alunos, coincidências que Elaine comenta com detalhes (graças ao mergulho compulsório de anos na lenda arturiana, promovido pelos pais). Nisso o livro faz um serviço enorme, e que tem que ser elogiado: o respeito pela lenda arturiana, personagens e detalhes da história é enorme. Para um livro adolescente, me surpreendeu notar que a autora de fato pesquisou a lenda, ou foi muito bem assistida durante a composição. E como na lenda arturiana, o círculo vai se fechando, o clima fica cada vez mais tenso, e o desfecho da história é inevitável.

O livro traz um trecho do poema da Senhora de Shalott no começo de cada capítulo, o que reforça ainda mais a entrelinha didática ao recitar um poema tão antigo para um público mais interessado no seu próprio mundo. Lindíssimo trabalho da Meg Cabot, que mesmo com uma linha de diálogo bem rápida e leve, conseguiu jogar tanta história nas mãos dos leitores. 

Recomendo sim! As aventuras da Ellie, Will e o resto da turma continuaram na saga Avalon High: Coronation, só que mudou o formato. Os livros viraram HQ, específicamente três gibis. Para mais detalhes sobre os livros e a autora, podem olhar no site oficial.

Bom, é isso por enquanto... mais no próximo post!

Entrando na onda Pop

Não, não é da música pop, nem dar uma de pop star. Também não é pra confundir pop com poop, que são diferentes mas muitas vezes parecidos, devido aos oportunistas de plantão que buscam sucesso a qualquer preço.

Minha onda pop foi topar na inclusão do mais novo snippet do BlogSpot: a lista de populares. Vi surgir isso em vários blogs, e como a Marion me insistiu em fazer isso topei com a idéia e botei aqui na lateral do blog. Se você está lendo pelo RSS, que pena... está perdendo a chance de saber quais os posts mais populares do meu blog nesta semana. Tá esperando o quê? Clica aí e vem pro blog!

É, no fundo estou enrolando e sei que faz tempo que não publico, mas tem a ver com mudanças no trabalho e na rotina, que até agora não estabilizou. O bom que nesse tempo todo, a quantidade de visitas não caiu; assim como é com o Arthur, Camelot e a própria lenda, a popularidade não caiu nem um pouquinho.

Obrigado a todos por continuar aqui! Se tudo correr bem, logo logo poderei voltar à "nossa" rotina, e trazer um texto novo toda semana.


Até o próximo post!


Castelos, Cavaleiros, e Eu!

No post anterior comentei da exposição na Estação Ciência da USP, organizada pela Historiarte. Com o objetivo de conhecer o trabalho e poder mostrar mais para vocês, sai de casa armado de câmera e aliados para registrar tudo.

Tirando uma quase-batida de carro por causa de uma uneta preta que brecou de súbito na marginal por errar a saída, o trajeto foi tranquilo. Para meu espanto, pego menos trânsito para ir até a Lapa durante a semana do que no sábado, curioso isso... Mas enfim, por ser perto do trabalho achei bem fácil. 

A Estação Ciência funciona em antigos galpões da Lapa, e cabe lembrar para que for que não tem estacionamento no local. O mais próximo é metros antes do semáforo, na mesma rua, na mão esquerda. Chegando perto da Estação, é só ficar na pista da esquerda e prestar atenção às placas. 

Vou deixar à Marion contar tudo sobre a Estação Ciência, e me concentrar apenas na exposição de Castelos e Cavaleiros; só posso dizer que é um passeio ótimo, bem divertido para crianças e adultos.

Chegamos pouco antes das 11 da manhã, e depois de mexer e brincar com um monte de coisas do acervo permanente do museu, vimos as armaduras, reluzentes, no andar de cima. Subimos a rampa, e encontramos 5 bandeirolas representando várias "casas", ou nomes nobres. A heráldica sempre se valeu de símbolos para representar as casas, nomes ou linhagem nos escudos; era a forma fácil de mostrar quem é você, ou mais importante, para que lado você luta em uma batalha (especialmente onde o analfabetismo era a regra). Convenhamos, é mais fácil faltar "time amarelo contra time verde" do que explicar a árvore genealôgica... Mas quem sabia ler normalmente não estava guerreando, estava ocupado copiando documentos.

Na frente destas bandeirolas encontramos maquetes, explicando a evolução dos primeiros castelos (em madeira), até chegarmos castelos de pedra. Todas as maquetes explicam o periodo, assim como características dessas construções. Todos eles, sem exceção, são trabalhos excelentes de reprodução da vida e os cenários comuns a essa época. Claro, não tem como explicar absolutamente tudo (intervenção da igreja, vida no feudo, etc.) mas não sinto que essa seja a iniciativa; a idéia é incentivar a curiosidade das pessoas. Quem tem interesse e gosta de História, com certeza vai atrás e procura. Não fosse assim, este blog nem existia, não é?


Logo ao lado vemos as estrelas da exposção: as armaduras. Ordenadas por ordem cronolôgica, elas vão das primeiras armaduras de malha, passando pelas armaduras de transição (onde algumas placas de metal foram acrescentadas), até as últimas armaduras, o "topo de linha", ou a última palavra em tecnologia de proteção corporal por volta do século XV. Foram quase 1000 anos onde as armaduras acompanharam o homem na batalha; pena que a pólvora acabou com a graça. No fim, só ficou a imagem do príncipe reluzente na armadura. A realidade não era tão bonita nem elegante quanto os filmes mostram, mas de fato as armaduras tinham que ser polidas para não enferrujar.



Mas, é importante que se diga, a exposição não é só sobre armaduras e castelos. Em duas estantes acomodadas na lateral do espaço reservado a exposição, encontramos objetos de época, como instrumentos musicais e capacetes, assim como alguns jogos de tabuleiro. Neste caso os jogos não são de época, mas tem referências ao medievalismo. Embora a estante tivesse uma reprodução da távola redonda, o que mais me chamou a atenção foi um tabuleiro de xadrez. Este tabuleiro é uma cópia bem próxima do tabuleiro que vi no British Museum, e provavelmente o xadrez mais famoso do mundo: o
"Lewis Chessmen", encontrado na Escócia em 1831, e feito provavelmente Noruega por volta de 1120. As peças originais, feitas de dentes de baleia e marfim de leão marinho são reproduções de reis, bispos e outras peças que conhecemos, incrívelmente bem conservadas. Vejam no detalhe: as peças mais claras são as originais do museu de Londres, enquanto as amareladas, no tabuleiro, são as réplicas.



Por algum motivo que não conheço, entre o original e a cópia o Bispo perdeu a Bíblia, por isso na cópia ficou fazendo V de vitória. Vai que o time dele ganhou esse dia.

A expo inclui algumas brincadeiras, como tirar fotos no trono (real, não o de louça), com direito a capa, cota de malha (rebitada anel por anel como as originais!) e fantasiado de rei ou rainha, conforme sexo ou preferência, cada um sabe né? Assim, tirei algumas fotinhos bem engraçadas. Como fui a convite, tirei algumas fotos para divulgação, vestindo a parte superior de uma armadura. Quem quiser aproveitar e sentir como é vestir uma armadura, aproveita e vai no próximo fim de semana; para mais detalhes sobre dias e horários onde pode vestir armadura, consulte o site oficial.

É claro que ficamos dando risada o tempo inteiro. É bem divertido sentir como cada camada de ferro vai pesando cada vez mais no corpo; o mais impresionante é o capacete. Sério, não tem como enxergar nada naquela fenda, muito menos reconhecer se está se atacando alguém do seu lado ou do inimigo. O lado bom é que entre a cota (capuz) de feltro, a de malha e finalmente o capacete, o som fica muito abafado; não sei o resto do corpo, mas com certeza o ouvido está bem protegido. Às fotos!

Primeiro, a parte social e lúdica...


E finalmente, encarando o papel!


Galera, aproveitem, última semana! Mais fotos ainda nesta semana no meu Facebook. Obrigado mais uma vez ao pessoal da Historiarte pelo convite!
Até o próximo post!

O Mundo Medieval, Perto de Casa!

É, podem me cobrar mesmo, faz quase um mês que não escrevo nada. A vida real, em cores e 3D de verdade, acaba consumindo todo meu tempo e fico relaxando em outras coisas. Não que escrever não seja um prazer, mas para escrever há um ingrediente que não pode faltar: o assunto.

A lenda arturiana é riquíssima, ao ponto de termos facultades, mestrados e outras especializações no medievalismo dedicadas a estudar as lendas. Mas, como aficionado que sou, só me resta o tempo de lazer para tocar o blog, disputando espaço na agenda com outras coisas que curto fazer.. Para ter o que falar no blog, não basta apelar à memória; é preciso ler, estudar, conhecer.

Nada mudou ainda, minha agenda continua uma bagunça, mas voltei para o blog para fazer um favor, ou melhor, cumprir com uma gentileza com outros historiadores, leitores e até consumidores de medievalismo.

Me passaram a dica de que a Estação Ciência da USP está fazendo uma exposição, chamada Castelos e Cavaleiros; a expo vai até o 24 de Julho, e vai de objetos e armaduras até músicas, leituras e danças. Achei a idéia ótima, afinal, não é todo dia que o medievalismo bate na porta de casa para nos visitar. É uma excelente oportunidade para conhecermos um pouco mais da cultura da época, e trocar uma idéia com o pessoal da expo. Reza a lenda que, se visitar no dia certo, até dá para vestir uma armadura...

Para mais detalhes sobre a agenda e os eventos, visitem:


www.castelosecavaleirosbr.blogspot.com

www.historiarte.org.br

Quero agradecer ao Rodrigo Capozzi pela dica, a gente se vê lá! Quem for neste fim de semana, largue um comentário aqui, no FB, mail, etc. e combinamos para nos encontrar. Que tal?

Até o próximo post!

O Reino Nas Minhas Mãos

A Electronic Arts lançou mais uma nova iteração da sua franquia "The Sims", provavelmente o jogo mais vendido na história do videogame por seu apelo com qualquer tipo de jogador, seja homem, mulher, criança, adulto, jogador casual ou frequente. Este novo jogo é completamente independente dos outros da saga, portanto não requer nenhum dos pacotes anteriores. O novo Sims ganhou o nome de "The Sims: Medieval", e seu nome eis a razão óbvia para ganhar um post no blog.



Não vi o jogo para venda nas lojas ainda, mas pode comprar online como dowload direto (o que tenho preferido ultimamente para comprar jogos). A vantagem dos jogos comprados desta forma é que você pode fazer download do game quantas vezes quiser, onde precisar. Nunca mais você perde uma mídia, um CD ou DVD, um número de série... Basta entrar com o seu login, e se precisar baixar o jogo inteiro de novo. Além disso, nunca mais tive que colocar um CD ou DVD no leitor para rodar o jogo. Simples, prático, direto. Finalmente esse modelo de negócio chegou, e veio para ficar. Abençoados os que tens banda larga, pois vos a usareis.

Antes de falar do The Sims Medieval, vou fazer uma pequena introdução aos jogos deste tipo. Duvido que a essa altura do milênio exista alguém que ainda não tenha jogado ou pelo menos visto os jogos dos Sims, mas como resumo da história é como jogar de casa de bonecas, só que legal. Quer colocar fogo na casa? Deixa um personagem cozinhando sem experiência.Quer ver os bonequinhos ficarem loucos? Apaga a porta do banheiro. E por aí vai.

Particularmente, uma das coisas que sempre gostei do The Sims são os módulos de construção. No fundo, todos tem o sonho da casa própria, e no jogo você pode brincar de construir desde casas simples até verdadeiros palacetes de vários andares, usando uma interface bem simples e rápida de aprender. Passava muito tempo brincando com Marion nesse jogo, nos brincávamos juntos na mesma máquina. Eu gostava de reformar as casas, e deixava com ela a interação com os personagens (chamados de "Sims"). Dá para fazer famílias inteiras, e nas versões dos jogos que tem vizinhanças, você popula cada uma das casas com uma família e elas interagem como vizinhos, se visitando e ficando amigos com o tempo. Reflete bem o espírito de morar em casa, onde todos os vizinhos se conhecem. Para quem mora em prédio, sabe que a situação é um pouco diferente, mas ainda assim a receita da amizade é a afinidade.

Por causa desse recurso de familias e bairros, muita gente opta por reproduzir as famílias de seriados e novelas; fica muito engraçado criar personagens com semelhanças físicas aos personagens de seriados, e colocá-los para interagir em situações do dia a dia, como pegar o jornal ou fazer ginástica na frente da TV. Imaginem só, fazer a Liga da Justiça ou os X-Men dentro de uma casa, parecendo mais o Big Brother do que heróis... o jogo fica hilário!

Agora que "nivelamos" o conhecimento sobre The Sims, posso contar um pouco melhor sobre o TSM (The Sims: Medieval) e suas particularidades. Nesta nova versão, temos a oportunidade de erguer um reino medieval fictício do zero, onde controlamos personagens decisivos na trama. As decisões de cada personagem mudam o rumo do reino, influenciando a situação com os reinos vizinhos, passando da diplomacia e amizade para uma declaração de guerra em poucas jogadas. 

A interface do jogo continua bem parecida às versões anteriores, com apenas algum outro botão novo para dar acesso às novas funções. A mudança mais radical é no fato de acompanhar o Sim o tempo inteiro durante sua jornada; nas versões anteriores, os Sims ganhavam profissões e "iam trabalhar", sumindo por algumas horas e voltando depois com o dinheiro do dia. Neste novo jogo, seu dia inteiro é seguido de perto. O monarca tem que escrever leis e ouvir as reclamações e pedidos da plebe, os vendedores tem que abastecer suas lojas e vender, e assim por diante. O jogo coloca um Sim específico (criado pelo jogador ou usando algum dos já prontos) na responsabilidade de uma propriedade, e com isso ganha sua profissão e obrigações diárias (seja como rei, espião, guerreiro, vendedor, ferreiro, etc..). Estas obrigações são críticas para o bom andamento do jogo; se deixar as mesmas de lado, simplesmente a mecânica inteira do jogo confabula para garantir a falência do cidadão em questão. Voltando um pouco, cada dono de propriedade é chamado de "herói". Assim, cada Sim que tem uma profissão e é controlado pelo jogador ganha o título de herói, e pode desenvolver pontos dentro da sua carreira, que facilitam as tarefas a longo prazo. Requer um pouco de estratégia e disciplina, mas sem tornar o jogo chato. Pelo contrário, posso dizer que a obrigatoriedade de certas atividades torna o jogo mais interessante, mais coeso e menos largado do que edições anteriores. Estas obrigações podem fazer-se a qualquer momento, mas como requerem um certo tempo para concluí-las é bom não deixar para muito tarde. Fora isso o jogo dá a costumeira liberdade de fazer o que tiver vontade, literalmente.

O visual do jogo, desde a interface até os cenários, roupas e móveis, seguem a linha medieval da proposta. Quem conhece os jogos anteriores vai se deliciar com as sacadas da adaptação ao mundo medieval, como o diamante do status encravado em ouro. A música, completamente instrumental e
fortemente inspirada em cordas e metais e sopros acerta o tom em cheio.

Outra coisa que considero um acerto no jogo é a simplificação na criação do Sim. Ficou muito mais rápido, sem ter que mexer em pontos por signos do zodiaco nem outras firulas. Simplesmente, você escolhe duas ou três características da conduta (inclinadas para o bom ou ruim), compõe a aparência e vai pro jogo. Falando na aparência, acho que podia ter mais opções de indumentária. Acho que as roupas ficam cansativas bem rápido; provavelmente seja uma jogada do fabricante para vender pacotes de ampliação.

Agora, resumindo e para encerrar: ambientada na Idade Média, este novo Sims tem tudo para virar um sucesso como os anteriores. As novidades do jogo são bem-vindas na sua maioria, e continua divertido mesmo depois de tanto tempo. Para quem gosta da saga, é uma ótima pedida.

Para Geeks: Encontrei um ponto negativo no jogo em relação a um velho defeito já conhecido do jogo, e que não foi resolvido até hoje; é um problema técnico, portanto me desculpem se o papo ficar muito chato. O jogo não tem nenhum limitador interno de velocidade de vídeo, portanto pouco importa se você tem uma placa de vídeo boa ou ruim, ele sempre vai exigir o máximo dela. Isso implica que nos computadores de alta performance, as placas de vídeo literalmente fervem. Eu sempre deixo um termómetro ligado (o MSI Afterburner) para checar a "saúde" da minha placa de vídeo enquanto jogo, e reparei que a placa chega a absurdos 93C ao jogar The Sims. Como referência, o jogo mais exigente que usei até hoje foi o Crysis, que chegava a 82C. Por mais que a placa diga que funciona legal até 105C, com certeza afeta a vida útil da placa. Depois de investigar este problema, vi que é uma coisa que a EA não resolveu até hoje, e atormenta desde o primeiro The Sims. Tem várias soluções para esse problema: a mais simples é configurar a placa de vídeo com VSync ligado, o que trava o vídeo na velocidade do monitor (geralmente 60 quadros). Se isso não funcionar, podem usar programas externos que se sobrepõem às configurações da placa. Alguns são muito velhos e não funcionam, mas um que posso recomendar (foi o que usei) é o SSAA Tool. Para quem conhece um pouquinho é bem fácil de configurar, e permite outras opções como forçar o Triple Buffering ou mesmo o SSAA. Depois de instalar este programa e configurar como queria, posso rodar o jogo em 30 quadros a mais do que saudáveis 45C, ou aumentar para 60 quadros, o que deixa a placa em 70C, a média para os jogos que uso normalmente. EA, vê se arruma esse negócio e pára de fritar os computadores dos teus jogadores!

Até o próximo post!