Viagem no Tempo

Últimamente estou com uns probleminhas de agenda. Não consigo separar tempo para blogar do jeito que gosto; até meus hábitos de leitura andam meio abandonados. Preciso retomar isso! De novo, trago um post curto. Acho importante manter a continuidade no blog, mesmo que o post não traga muito estudo. Nem todo post pode ser épico, não é?

Volta e meia encontro coisas curiosas na internet. Desta vez, cai no site do Regia Anglorum. Eis um grupo de pessoas que há mais de 25 anos encenam a vida medieval para eventos, demonstrações e por aí vai.

O que achei mais curioso é que não são um monte de marmanjos fantasiados com armaduras e que brincam de guerrinha. Eles reproduzem de fato a vida social, tanto da nobreza como dos peões nas vilas. Tem todo tipo de profissões, com pessoas trabalhando de fato como ferreiros, artesãos, cozinhando... O objetivo deles é mostrar como era a vida, a moda e os costumes nos reinos dos Ingleses (ou Regia Anglorum, como era chamado nos textos da época), e por questões históricas decidiram se apegar a um periodo que vai aproximadamente do ano 950 até o 1066. Assim, temos pouco mais de um século transportado para nosso dias.

A brincadeira é muito séria, mesmo. Eles celebram festas, casamentos, e usam suas próprias moedas como pagamento pelos trabalhos, movimentando a economia da maneira que era naqueles tempos.

Falando em riquezas, o projeto mais ambicioso é Wychurst. Este é o nome da cidade permanente que estão construindo. Imaginem isso, a mais nova fortaleza medieval, com direto a barcos vikings fazendo ataques. Só a idéia de poder visitar um lugar assim é como poder entrar em um livro de história e respirar, viver lado a lado a experiência de viver no periodo. Para mim, é sem dúvida alguma parte do roteiro do meu livro. Tenho que conhecer esse lugar!

Quem quiser conhecer mais, não deixem de clicar o link "Who we are" na página do Regia Anglorum.

Até a semana que vem!


cineminha?

Olá a todos... Está tarde para blogar, mas me sinto quase que obrigado a comentar por aqui que o Níver deste ano foi espetacular. De manhã cedo o corte de cabelo para me sentir eu mesmo de novo (e não o ET cabeludo que via no espelho), depois o ensaio na bateria, mais tarde o churrascão com a galera do trabalho (e dá-lhe GH, chimichurri e cerveja, rá!), depois voar pra casa e preparar tudo para a parte dois da festa, com mais GH, casa lotada, comidas, bebidas e claro, amigos e altos papos! Obrigado a todos por esse dia, vai durar bastante na memória.

Esta semana a Mara e a Marion me avisaram que o diretor do último Sherlock Holmes está preparando um filme (ou talvez uma série de filmes) sobre o Rei Arthur, mas especificamente sobre o livro Le Mort d'Arthur, na versão de Malory de 1485. E eu disse para mim mesmo uhu!, e digo mais uma vez, o Arthur voltou cada dia mais pop.

Tem boatos de outro filme também, mas engavetado por enquanto. Falando em filmes, caí em uma página que quero compartilhar com vocês, e vou concluir o post de hoje por aqui, apenas por questões de ressaca after-party.

O Celtic Myth Podshow é um cantinho da internet onde podemos ouvir (literalmente) histórias antigas, focando contos celtas, o que abrange Irlanda, Escocia, Inglaterra, Gales, e por aí vai. Nesse mesmo site encontrei uma lista de filmes super completa, muitas das quais já vi e comentei por aqui. Recomendo clicar no link e descobrirem quanta coisa bacana já foi filmada sobre estas histórias, a lista é longa!

http://celticmythpodshow.com/Resources/films.php

O site permite RSS feeds entre outros, e por isso já está na minha lista de visitas semanais. Aproveitem, poucas coisas são na faixa hoje!

Até a semana que vem!

O Espartilho da Guinevere

Apenas como comentário fora de nota e que gostaria de divulgar, as aulas de bateria estão indo muito bem. Estou me divertindo bastante, consigo me distrair por completo do dia a dia, clareando a mente por assim dizer. Comecei a duas semanas, portanto foram duas aulas (sem contar a de demonstração, que foi antes do carnaval) e duas manhãs de ensaio aos sábados, dia que o estúdio está livre e tenho o espaço só pra mim. Apenas gostaria que não chovesse nos dias que vou, porque até agora não falhou uma vez, hehe!

Mas, vamos voltar ao nosso subject. No último post comentei de livros para vocês, e tem uma loja internet bastante bacana, a alibris.com. É um site de busca com o catálogo de muitas livrarias nos Estados Unidos, e como livro é isento de impostos (desde que a papelada do correio seja feita corretamente) é uma ótima oportunidade para achar aqueles livros que nunca vieram pra cá.

Tem uma iniciativa nacional muito parecida com a do Alibris, porém concentrada em sebos: é o Estante Virtual, com o catálogo de mais de 1600 sebos espalhados pelo país. A idéia é simples, porém excelente: os sebos entram em contato com o site e fazem o cadastro, e documentam seu catálogo no site. Um percentual da venda vai para o site, e todos ganham. Os sebos vendem mais, os leitores acham o que procuram mais facilmente, e o site se mantém com o que recebe das vendas.

Como disse na semana passada, descobri por acaso uma trilogia sobre a Guinevere, que tem por autora a Persia Woolley. Pesquisei um pouco mais pelo nome dela, e não parece ser uma pessoa muito conhecida; ainda assim, sua trilogia rendeu um filme para TV chamado Guinevere, que também é bastante obscuro.

As críticas dos livros são diversas. Tem pessoas que adoraram, e não emprestariam seus livros para ninguém por medo de perdê-los, enquanto outras pessoas não conseguiram terminar de ler por achar entediantes.

A trama apoia-se na lenda arturiana (não sei com qual grau de precisão), contando a história desde a ótica da Guinevere. Sendo assim, podemos esperar uma história feminina provavelmente no tom do bem mais conhecido Brumas de Avalon, com uma importante exceção: se a heroína é Gui, é bem provável que Morgana seja a bruxa má, a vilã da vez.

Encontrei fotos da capa dos livros na internet, e me deixaram pensativo. Sabem aqueles livros fininhos de romance clássicos, de autores poucos conhecidos? Então, Olha só:


Digamos, as capas são bem bregas... Mas como disse desde o começo, o Arthur é pop, e isto é apenas mais uma faceta que prova minha teoria.

Se diz que o "romance" ganhou status de gênero com "Orgulho e Preconceito", livro de Jane Austen publicado em 1813. É dela também o livro "Jane Eyre", publicado em 1847. Estes livros colocam o papel clássico da heroína, a mulher protagonista da história e sua perspectiva da história. O romance moderno consiste em histórias de amor monogâmico que desenvolvem o cortejo ao longo da história, e terminam invariavelmente em final feliz. O gênero é bem conhecido pelos livros de capa mole (que foi uma novidade na época), e por ser vendido em locais mais populares, como drogarias e bancas de jornal.

Falando nisso, descobri uma palavrinha que não conhecia ao pesquisar sobre o assunto. Os livros normalmente colocam a protagonista em alguma encrenca, e sempre vai ter o herói que chega no momento certo para salvá-la. Assim, as capas normalmente mostram uma mulher entregue nos braços de um homem, o que deu a estes livros um apelido hoje considerado ofensivo: "bodice-rippers", o que traduzido seria arrancadores de espartilhos. Sabem aquele colete medieval que as mulheres usavam, aquele clássico de roupa de aldeã medieval, ou de alemã da OktoberFest? Então, isso é um bodice. Que por sinal, era sempre a primeira peça que piratas e outros vilões arrancavam das mocinhas. Foi um jeito bem depreciativo de se referir a estes livros, mas ao mesmo tempo não acho tão impreciso.

Então... Agora só falta comprar!

Até a semana que vem!

@online

Blog que é blog fica na internet, e por isso precisa de certos recursos. Eles são assunto, tempo, um computador para digitar e acesso a internet. Bom, neste final de semana estava sem o terceiro item, e assim o blog não saiu.
O que posso contar pra vocês é depois de algumas reinstalações e ter restaurado tudo a uma condição utilizável, usei uns minutinhos para pesquisar umas besteirinhas na internet, umas coisas sobre jogos antigos de PC. Sei lá, saudosismo provavelmente.
A questão é que estava buscando pela trilogia da Ubisoft do Príncipe de Persia, e caí em uma coisa nada a ver. Conheci uma senhora com o simpático nome de Persia Woolley. O que ela tem a ver com o Príncipe de Persia? Nada. Mas é autora de uma trilogia sobre a Guinevere, e agora começa a busca por esses livros.
Encontrei para comprar lá fora, mas aqui infelizmente só encontrei o último livro. Por ser um livro antigo, só localizei livros usados, mas até aí não vejo muito problema.
Vou olhar o que acho nos sebos que tem catálogo online, e depois conto pra vocês.

Até o próximo post!

Return of the Metal

Como perceberam, pulei o post da semana passada. O carnaval costuma ser um período onde todos os blogs param, seja para descansar, porque os blogueiros estão viajando ou qualquer outro motivo. No meu caso, foi desânimo mesmo. Os posts de carnaval dificilmente ganham comentários, e não falo no meu blog, falo em geral. Fui no sambódromo como nos últimos anos, vi os desfiles, acompanhei um pouco pela TV, formatei os três computadores que tem aqui em casa, tirei o atraso de videogames parados na gaveta, enfim, me distraí com outras coisas, assim como todo mundo procura fazer no carnaval.

Estou começando algumas coisas novas; quero aprender a tocar um instrumento, e o escolhido foi bateria. Acho que vai com a minha cara, ao menos mais do que outros instrumentos. Também voltei à dieta, quero me sentir bem comigo mesmo. E tenho ouvido bastante música, e com isso descoberto algumas coisas que se encaixam no blog.

Faz menos de um ano falei do meu gosto por heavy metal. A questão é que hoje estava fazendo clicks na internet, seguindo um link, que me levou a outro, e assim a outro, e por vai, e achei um bocado de coisa interessante.

A lenda arturiana é fortemente épica, e como tal está na cara que as bandas de metal vão passar por ela, mais cedo ou mais tarde. Assim, fui descobrindo que várias pessoas passaram por ela, como maior ou menor grau de inspiração. Teve resultados empolgantes, enquanto outros não tiveram tanta inspiração. Vou parar de enrolar agora e contar o que achei. Aviso aos fãs das bandas: as opiniões aqui são inteiramente minhas, nada contra aos artistas, ok? Gostos são gostos, e respeito ao opinião dos outros.

Mägo de Oz

Esta banda espanhola, bem desconhecida por estas bandas tupiniquins (tanto é que até os links do wikipedia em português estão quebrados) faz heavy metal em espanhol, com letras no mínimo peculiares. Normalmente me emociono com música em espanhol, afinal é um idioma muito rico, cheio de fortes palavras e expressões sentimentais. Mas depois de ouvir um par de músicas e ler a letra das canções, me desapontei. Embora a parte musical é incrível, especialmente por inserir elementos celtas e sons não esperados como o de um violino e flauta transversal, achei que o vocal fica muito no lugar comum, sem elementos que realmente o destaquem de outras bandas. Sobre as letras, nem todo mundo tem estrela para escrever. A escolha dos assuntos é muito boa, incluindo álbuns como a opera rock "Jesús de Chamberí" ou "La Leyenda de La Mancha", mas infelizmente achei as letras sem inspiração.

Outra coisa triste são as capas dos CDs. Feio, baixo orçamento, um pouco pior do que feito em casa. Quando é assim, procurem um bom True Type épico, façam a capa preta e as letras em vermelho ou branco, sem sombrinhas nem firulas. Aliás, foi isso o que fizeram no álbum menos feio, o "Belfast", que por sinal tem letras mais inspiradas (tirando que ainda parece feito na mão com caneta). Uma coisa que me deixou incomodado desse álbum e a música "Mujer Amante", que pertence à banda argentina "Rata Blanca". Fiquei me perguntando se as outras músicas também são versões, até por ver várias versões de músicas espalhadas nos álbuns e shows ao vivo. Aí procurei na internet, e de fato o Belfast é um disco de versões, tanto das músicas deles como de outras bandas. Já que falei neles, procurem a música "leyenda del hada y el mago" de Rata Blanca. É uma das minhas favoritas, e uma das primeiras músicas de metal melódico que escutei na vida.

Mas, voltando agora ao assunto, o que os "mägos" fizeram com a lenda arturiana? O álbum "Folkertgeist" de 2002 traz uma música com o nome de "El Santo Grial". Vamos à letra:

El Santo Grial

Que trata de las novelas de caballería que Alonso Quijano
eligió para ocupar su tiempo y dormir su mente.
Todos buscamos un grial, ¿no?


Vengo de un tiempo más allá de la razón
Donde un viejo juglar
Cuenta una historia que el viento le susurro
Al bosque sobre un grial

Dicen algunos que de ahí bebió Cristo
Y otros que leyendas son
De un pueblo llamado celta
Al que vida eterna dio

Fuego, magia y pasión
Filtros de amor
Cuidan de él
¡Acompáñame!

Despunta el alba, la brisa acaricia el mar
Es hora de marchar
Forja tu espada con sabiduría y fe
Y en tus sueños guíate

Y por oscura que sea la noche
Y el miedo beba en tu piel
Más allá del reino muerto
Vida eterna hallarás

Fuego, magia y pasión
Filtros de amor
Cuidan de él

Toma mi mano y sígueme
Te mostraré lo que tu alma no ve
Por equipaje solo lleva tu fe
Por escudero el valor siempre ten

Y si en tu viaje oyes la voz
Del lado oscuro de tu corazón
Elige bien o jamás volverás
Del sueño del grial, nunca despertarás

Resumindo: Duendes não tem a ver com lenda arturiana. Tinha tanta coisa legal para falar, como o surgimento do graal, José de Arimatéia, as visões de Lancelot, Galahad e Perceval, mas não... eles tinham que falar de vento e duendes.

Blind Guardian

Basta entrar no site oficial da banda para notar a diferença entre eles e o grupo anterior. Façam isso, vão se chocar. Esta banda alemã usa como temática todos os elementos épicos como inspiração, ao ponto de participarem até de encontros de RPG. Aproveitem para fuçar o site deles, é bem legal.

Eles visitaram a lenda arturiana no álbum "Imaginations from the Other Side" de 1995 com duas músicas, "A Past and Future Secret" sobre a batalha de Camlann (ou monte Baddon), e "Mordred's Song", cujo assunto é óbvio.

Vamos às letras:

The Past and Future Secret

Oh, I haven't been here for a while
in blindness and decay
the circle's been closed, now

My song of the end
I've seen it all

Listen crowd
I'll tell you everything
though I have to say
I don't know much
talking about a past
and future secret
most called him once
and future king
far back in the past
I saw his ending
long before it started
I knew his name
he's the one who took the sword
out of the stone
it's how that ancient tale began
I hear it in the cold winds

My song of the end
I had seen it in my dreams
my song of the end
I can't stop the darkening clouds

I feel cold
when I cry out for the bark
take him back to Avalon
dwell on for a new age
so long sleep well my friend
take him back to Avalon
I will wait and guard
the future king's crown

My song of the end
it was nice but now it's gone
my song of the end
it was fixed the whole time
my song of the end
I saw it all

Agora sim... eles pelo menos leram alguma coisa antes de escrever, ou pelo menos assistiram um filme antes de escrever. Gostei muito da letra, e a música é forte também.

Mordred's Song

I've lost my battle before it starts
my first breath wasn't done
my spirit's sunken deep
into the ground
why am I alone
I can hear my heartbeat
silence's all around

See hat will rise
so don't come closer
fear your child
born with a king's heart
but fate fooled me
and changed my cards
noone asked if I want it
if I like it

Ref.:
Pain inside is rising
I am the fallen one
a figure in an old game
no Joker's on my side
I plunged into misery
I'll turn off the light
and murder the dawn
turn off the light
and murder the dawn

Nothing else,
but laughter is around me
forevermore
noone can heal me
nothing can save me
noone can heal me
I've gone beyond the truth
it's just another lie
wash away the blood on my hands
my father's blood
in agony we're unified

I never wanted to be
what they told me to be
fulfill my fate then I'll be free
god knows how long
I tried to change fate

(Solo)

Ref.

(Solo)

I plunged into misery
I'll turn off the light
and murder the dawn
turn off the light
and murder the dawn

Menos inspirada que a anterior, mas também um hino musicalmente falando. Estou ouvindo algumas coisas no youtube agora, e é bem provável que vá atrás de algum álbum deles. Por sinal, meu níver é no próximo dia 13, só por comentar :-)

Bruce Dickinson

Ah, Bruce... O que seria do Metal sem você. Além do Iron, ele fez vários trabalhos solos, entre eles o "Chemical Wedding", lançado em 1998. Este álbum foi remasterizado em 2005, e ganhou três faixas bonus, onde a primeira delas é a "Return Of The King", que fala exatamente dele, do homem, da lenda, nosso herói, o Rei Arthur e sua volta de Avalon. Olha só:

Return Of The King

A 100 years of toil and pain
To pull a stone upright again
Uprooted from its mountain home
Taken to this sacred circle
Is there a secret in the stones?
A message in the hills
Is there a secret in the stones?
A message long ago

I know the king will come again
From the shadow to the sun
Burning hillsides with the beltane fires
I know the king will come again
When alt that glitters turns to rust
Uther pendragon standing fast
Beside you

The sun the moon we worshipped here
A calendar of fear
Gazing across the channel sea
To see the beacons burning brightly

Is that a shadow on the hill
Or a phantom in the mere
What is tne meaning of these stones?
Why do they stand alone

I know The king will come again
From the shadow to the sun
Burning hillsides with the beltane fires
I know the king will come again
When all that glitters turns to rust
Uther pendragon standing fast
Beside you

Bruce, Obrigado. Só posso dizer isso.

Para quem estiver curioso pelas músicas, seguem alguns links:

Mägo de Oz - El Santo Grial
Blind Guardian - The Past and Future Secret
Blind Guardian - Mordred's Song
Bruce Dickinson - The Return of the King

Boa semana a todos!

Pequena nota ao pé do post: Quero dedicar este post a duas pessoas. Uma delas é dom Alejandro, "mi abuelo", que não está mais entre nós fisicamente, mas nos acompanha na memória e no coração de cada um. E musicalmente falando, ao Dany, meu sobrinho e parceiro na música. Dany, para vos, un grito de METAL del fondo del alma! \m/ \m/


Fazendo Turismo

Não sei se repararam, mas o mês de Janeiro foi um dos mais ricos no blog na questão de conteúdo e pesquisa. Foi um mês onde falei de Mordred, de Morgause, de Morgana e Guinevere, contando o que deve ser o surgimento destes personagens, sua orientação na história, as mudanças de cada um e outros detalhes obscuros.

Gosto quando consigo passar conteúdo assim, detalhado. Mas o blog não é só isso, e quem acompanha desde o começo sabe que eu afirmo que o Arthur é pop. A lenda arturiana influencia um bocado de pessoas até hoje, e assim surgem novas histórias, outros roteiros, e algumas coisas que não tem nada a ver com literatura (nem que a farinha King Arthur, procurem no google).

Como estava dizendo, o blog surgiu com o objetivo de trazer a lenda arturiana de um jeito informal, contando não apenas fatos históricos e literários, mas também curiosidades de algum modo relacionadas com a história. Assim, surge o primeiro post "popular" de 2010.

Era um sábado qualquer, desses que cai uma chuva chatinha. Pegamos o carro, e fomos fazer pesquisa de campo... em Jundiaí, SP. Mas, dirão vocês, o que pode ter de arturiano em Jundiaí?

O motel Excalibur!

Chegando em Camelot

Foi uma viagem péssima. Chuva, trânsito na estrada, nenhuma placa, e até o GPS do celular não conseguia se orientar. Para quem quiser ir, vale dizer que é ruim de achar. Vão com tempo, porque encontrar a saída para a estrada velha de Campinas é ruim. Até no site do motel não há instruções de como chegar, só deixaram um "paste" do google maps com a localização, que por sinal está errada. O motel é mais embaixo. O que o mapa marca é um estacionamento de caminhões, não lembro agora de qual empresa.

Bom, a questão é que com vento a favor achamos o lugar, e a vista da estrada me fez rir. É literalmente um castelo, no meio das serras que cortam nossas estradas. Como não dá para dirigir e tirar fotos, somente conseguimos parar no portão, com direito a portículis e tudo!


As suítes tem nomes nada sugestivos sobre o tipo de quarto, mas isso é de praxe de qualquer motel. Ainda assim, todos os quartos seguem a tematica arturiana, e assim encontramos suítes como Merlin, Avalon e etc. Escolhemos o quarto que supomos deve ser o mais luxuoso para duas pessoas, a suíte Excalibur. Tem outra superior, a Excalibur King, mas essa é para mais de dois ocupantes.

O pátio interno é muito bonito, tudo com tijolo aparente, e decorado com estátuas e plantas. Não deixa de ser fake, mas é quase impossível evitar um sorriso ao ver o capricho da decoração. Mas a maior surpresa foi ao chegar à garagem e baixar o portão. Uma grade de ferro servia de garagem, dando visão à parte baixa do quarto, onde fica a piscina aquecida, a hidro e sauna. Tudo de muito bom gosto, devo dizer. Subimos a escada, e o interior do quarto acompanha o visual de paredes com tijolo aparente, e em algumas partes pedras e lajotas. E no fim da escada, rodeada por colunas, a cama. Octogonal.


As fotos não conseguem mostrar, mas é tudo muito lindo, de muito bom gosto. Em volta à cama, estão as colunas, uma mesinha com suas cadeiras, um banheiro, ducha para dois, e outra escada que dá acesso à piscina, hidro e outras coisinhas. Este mezanino serve de terraço interno, dando uma vista ótima da suíte inteira.

Estas fotos mostram a hidro na base da escada, e a piscina aquecida. Por cima da piscina, há um vitral montado em trilhos, com o que é possível abrir o mesmo para receber o sol do meio-dia. Como estava chovendo um pouco e não era meio-dia, abri um pouco para clarear o quarto para tirar as fotos, e depois fechei. Todas as áreas desta suíte são encantadoras.


Nesta foto aparece o chuveiro para dois. A decoração no vidro e as paredes é ótima. Sei lá, eu sou suspeito porque curto esses ambientes, mas achei tudo muito aconchegante.


Nesta última foto, alguns destaques da decoração, como as lâmpadas em suportes simulando tochas, o espelho na cama, e por cima o teto abobadado de tecido. Há janelas falsas em diversos pontos, com lâmpadas por trás para criar ambiente, e muitos enfeites nas paredes e no teto. E até a porta segue estes desenhos. Tudo combina, se encaixa, faz parte de um conjunto bem bolado.

No começo do ano tentei contatar o pessoal do motel, mas não obtive resposta ao mail que passei. É uma pena, porque queria perguntar ao dono se curtia de fato a lenda arturiana, como teve a ideia, coisas do tipo. Por isso o post vai ter que ficar assim, apenas com a visão que tive como "cliente", e fico devendo a parte mais jornalística da coisa.

Se recomendo? Sim, com certeza! O único porém é a localização, mas fora isso achei tudo excelente, da infra até o atendimento e o cardápio. Tinha até brócolis, olha só!

Quem procurar na internet, vai encontrar dois motéis diferentes, o de Jundiaí e outro em Atibaia. A diferença dos sites é impresionante... Aliás, o que vocês acham? Devo ir até Atibaia para checar o outro? Posso estar enganado, mas achei tão pobrinho... Sinceramente preferia ir nesse Excalibur daqui.

Até a semana que vem!

Guinevere Reloaded

A pedido de uma leitora (SIM, FOI VOCÊ MESMO!!), topei fazer um dossiê sobre o lado menos conhecido da Guinevere; origens, razões, curiosidades da personagem que são ofuscados pelo seu protagónico no triângulo amoroso mais badalado da literatura medieval.

Antes que me perguntem, a base dos meu texto de hoje são o excelente site "Early British Kingdoms" do Nash Ford (conhecido também como EBK), o site "King Arthur's Knights", de um fã arturiano como eu, o "Timeless Myths", e outras fontes como os livros que tenho em casa (um pouco de Malory aqui, outro pouco de Chrétien, e uma pitadinha de outros autores menos conhecidos).

Pai? É você?


Dona Gui era filha do rei Leodengrance de Cameliard, como nos conta Malory. A tradição galesa diz que seu pai foi Lleudd-Ogrfan, o que provavelmente acabou virando o Leodengrance aí. Mas pesquisando um pouco mais, encontramos um outro nome: Ogrfan Gawr (Ogrfan o gigante), agora como morador do Castell Y Cnwclas, ou castelo Knucklas. Para deixar a paternidade dela ainda mais duvidosa, o lado germânico coloca o rei Garlin de Galore como seu progenitor. Mas se vamos ao texto mais antigo, Geoffrey de Monmouth diz que era filha de um "earl" romano. Os "Earls" eram pessoas de posses, com terras, ou o que nos primórdios da Inglaterra acabou virando "conde", ou mesmo "duque", onde suas terras seriam os Ducados. Não é exatamente ou mesmo, mas não encontrei outra forma de explicar, assim que fica por isso mesmo.

Gwen? É você?

O nome Guinevere remete a outros nomes, e mesmo a várias personagens. Para começar, encontrei uma tal de Guenhuuara no Geoffrey, isto por volta de 1100. Segundo o Layamon e o Wace (outras obras bem antigas), ela era filha de um nobre romano, e descendente de romanos pela linhagem da mãe. O Leodengrance apareceu como pai só depois, da mão de Chrétien.

Ainda mais antigo é o lado galés. No Culwch ac Olwen encontramos a Gwenhwyfar ou Gwenhwyvar, a tal da filha de Orgfan. Não que tenha relação com nada, mas Gwenhwyfar pode ser traduzido como fantasma branco, nome este que virou Guinevere, e nos tempos atuais Jennifer.

O que faltou dizer é que não houve apenas uma Guinevere... Olha só a bagunça. O texto mais antigo mostra que Gwenhwyfar tinha uma irmã, a tal de Gwenhwyfach, o que traduzido equivale a Gwen pequena, ou Gwen menor. Em outras palavras, é como dizer que não chegava a ser uma Guinevere, mas quase lá. Este lance surge no Culwch ac Olwen, e aparece também nas tríades galesas. Aliás, a tríade trouxe a versão de que Gwenhwyfach atacou sua irmã Gwenhwyfar, e seria isso o que teria provocado a batalha de Camlan. Já em versões mais novas, foi Gwenhwyfar quem se aliou a Mordred e concluiu nesta batalha.

O ciclo vulgato apresenta duas Guineveres, ambas filhas de Leodegan. É assim, Leodegan tinha um senescal chamado Cleodalis. Cleodalis era casado com uma moça que mais tarde virou dama da mulher de Leodegan. Como Leodegan queria dar um chega na mulher de Cleodalis, o mandou para a guerra, e deu um jeito de ter relações com ela. Deste evento nasceu uma criança, mas o interessante é que a Leodegan tinha engravidado também sua mulher, e assim nasceram duas crianças. A mulher de Cleodalis, após o affair, se afastou para um convento, onde deu a luz. O curioso da história é que ambas crianças nasceram no mesmo dia, na mesma hora, com o mesmo nome, e fisicamente idênticas. Temos assim duas Guineveres, meia-irmãs por parte de pai. Apenas há uma diferença entre elas, uma marca de nascença na filha da rainha que lembra uma coroa de rei, enquanto a segunda Guinevere não tem marcas. Aliás, ela é chamada no conto de segunda Guinevere, ou até de falsa Guinevere.

A falsa Guinevere se fez passar pela real nos contos em que apareceu, onde até o Lancelot fez o papel de defensor da verdadeira combatendo contra três cavaleiros para defender a palavra da Gui. Nesse conto (o das duas rainhas), Arthur tinha bebido uma poção de amor que o fazia acreditar na falsa Gui, e o feitiço somente se desfez quando a falsa Gui e quem deu a poção ao Arthur ficaram paralisados por uma doença estranha, e confessaram ao rei. O que o conto não deixa claro é se morreram pela doença, ou porque foram executados.

Mas para que duas, se podemos ter TRÊS Guineveres!!! a tríade nos conta que Arthur teve três esposas, todas chamadas de Guinevere. Tivemos Gwenhwyfar filha de Gwent, Gwenhwyfar filha de Greidiawl, e finalmente a Gwenhwyfar filha do gigante Gogfran. Aqui surge o que conversei no post da Morgause, onde ocorre a divisão das deusas em três personalidades. No conto Arthur tem a obrigação de casar e deitar com as três para garantir a prosperidade do reino; há uma certa relação nesta visão com a da deusa tripla Morrigan, ou talvez com as irlandesas Eriu, Banba e Fodla, ou a também irlandesa e triple deusa Danu.

Socorro!

A uma série de fatos recorrentes em todas as histórias de Guinevere. Primeiro, ela é mulher de Arthur. Segundo, ela é a mais bela do reino, ever. Terceiro, ela é sequestrada e alguém vai atrás para resgatá-la.

Esse alguém varia dependendo do conto; o sequestro mais clássico é o do Meleagrant, do conto do Cavaleiro da Charrete, aka Lancelot. Em versões anteriores, o herói era Arthur, mas com a vinda do Lancelot acabou a graça e todas as proezas sobraram para ele, claro.

Mas antes deste clássico sequestro temos contos mais antigos, onde Guinevere também se vê na posição da dama indefesa. Um bom exemplo é quando Arthur parte para guerrear, e Mordred toma posse da Britania na sua ausência, alegando que Arthur morreu na guerra. Junto com isso, toma posse da Guinevere. Ela casa com ele (e aqui um conto diz que fez concordando e outro que foi a rebeldia). Em um ato bem planejado, ela cai fora, se instala em uma torre junto com criados e aliados, e se tranca para que o Mordred não chegue até ela. Enquanto Mordred está sitiando a torre da Guinevere, Arthur volta e ocorrem várias batalhas, a última e definitiva em Camlan.

Não vou me estender nesta parte, porque todo mundo já conhece (ou deveria se lê o blog), mas para quem não leu pode clicar no link do cavaleiro da charrete que conto em detalhes os lances de Gui com Lancelot.

Já no fim...

Cada história trouxe um final diferente para a vida da Guinevere. Temos a história dos corpos achados em Glastonbury, e outras histórias onde ela se retira para um convento e vira freira. Agora, tem finais muito menos agradáveis, como no que Lancelot a mata, e ainda coloca o Mordred no túmulo (ainda vivo!), que vira canibal e morre de inanição. Credo. Ainda há um memorial em Meigle, onde supostamente foi estraçalhada por cachorros enquanto era prisioneira de seguidores do Mordred, em Strathmore. Eu prefiro pensar que morreu de velha mesmo, rezando. Não precisa ser tão trash, mas o que o período medieval foi dureza, isso foi.

Perguntas?